"Ilegal", disseram. E a estátua de São João Paulo II foi removida

Argumento para retirar a estátua do antigo Papa e Santo foi a ideia de que, por estar num espaço público, violaria uma lei de 1905 sobre a separação entre Igreja e Estado

O caso, relatado pelo Vatican News, aconteceu na Bretanha, no início desta semana, mas apesar de a contestação já durar há tempos, foi surprendente para muitos ver uma grua arrancar o monumento de 7,5 metros de altura e 13 toneladas do espaço público e transferi-lo para um terreno privado, junto ao colégio do Sagrado Coração de Jesus, a cerca de 30 metros do local original, em Ploërmel.

A estátua de São João Paulo II foi doada à cidade em 2006 pelo artista russo Zourab Tsereteli e durante os últimos 12 anos esteve num espaço público. Mas a sua presença causou incómodo suficiente para dar origem a uma queixa em tribunal.

Aparentemente, a figura do Papa polaco, e sobretudo a cruz no alto da estrutura, eram consideradas ofensivas da lei francesa que determina a separação entre Estado e Igreja. Era essa a opinião de um grupo de habitantes de Ploërmel, onde vivem cerca de 9 mil pessoas. Apoiados pela Associação Pensamento Livre, esses bretãos ocuparam o Conselho de Estado - a mais alta jurisdição administrativa francesa -, exigindo a remoção do monumento, invocando a lei que proíbe "elevar ou fixar qualquer sinal ou emblema religioso em local público", explica a publicação referida.

Em outubro, a justiça francesa deu razão aos queixosos e, para salvar a estátua que homenageava João Paulo II, a solução encontrada foi a Igreja Católica, mais especificamente a Diocese de Vannes, comprar a estátua por 20 mil euros e transferi-la para terreno privado.

"Espero que a decisão traga enfim paz à cidade", disse o padre Christophe Guégan, pároco de Ploërmel, à Vatican News

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