Igreja Católica pede a Maduro para revogar estado de exceção na Venezuela

Igreja considera "perigo" o estado de exceção e recordar que "nem nos momentos mais difíceis" Hugo Chávez o decretou

A Igreja Católica pediu na quarta-feira ao Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para revogar o estado de exceção e emergência económica que decretou a 12 de maio por considerar que é "perigoso" e "negativo" para o país.

"O estado de exceção não ajuda em nada a resolver os problemas dos venezuelanos, pelo contrário, agrava a situação política, social e económica. É um decreto extremamente negativo e, portanto, deve ser levantado de imediato", disse o arcebispo de Caracas, Jorge Urosa Savino, num comunicado.

No texto, lembra que "nem sequer nos momentos mais difíceis, em abril de 2002 [quando o ex-Presidente Hugo Chávez foi afastado temporariamente do poder] e em janeiro de 2003 [greve geral], o Presidente Hugo Chávez decretou o Estado de Exceção".

O documento questiona o Executivo sobre qual a razão por que "deve ser aplicado agora, quando o que existe é uma situação de escassez de alimentos e medicamentos que se deve resolver de outra maneira".

O cardeal pergunta ainda "quais são as razões para governar mediante um estado de exceção".

Para a Igreja Católica, o decreto é "extremamente perigoso" por conceder poderes extraordinários ao chefe de Estado, como contrair créditos sem controlo do parlamento, e porque dá poderes a organizações civis em matéria de segurança pública.

Por outro lado, insta a autoridades venezuelanas a recorrer ao diálogo para superar a crise, vincando que o Governo "não pode continuar a atacar permanentemente o setor privado, ameaçando com expropriar mercadorias, empresas, armazéns, viaturas de carga".

"Há uma situação difícil devido à falta de divisas para comprar e para importar equipamentos e matéria-prima que não se produz no país. Em vez de atacar, deve-se apoiar os grandes produtores de alimentos e de medicamentos", lê-se no mesmo comunicado.

A Igreja condena também o anúncio de terça-feira de Nicolás Maduro de que vai processar judicialmente a direção do parlamento por "traição à pátria" e por usurpar as funções do chefe de Estado ao ter solicitado à Organização de Estados Americanos que ative a Carta Democrática para a Venezuela.

"Não se trata de traição à pátria e de acusar livremente a direção da Assembleia Nacional para ocultar a realidade do país, há que dar uma solução ao povo que está sofrendo, no meio de uma crise humanitária", sublinha.

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