Iglesias renuncia a ser ministro do governo de coligação com Sánchez

Debate de investidura do socialista será na segunda-feira e, na quinta-feira, Sánchez tinha dito que não daria um cargo a Iglesias e que ele era "o principal obstáculo" a um acordo.

O líder da aliança Unidas Podemos, Pablo Iglesias, anunciou esta sexta-feira no Twitter que renuncia a ser ministro num eventual governo de coligação liderado pelo socialista Pedro Sánchez.

"Não serei a desculpa do PSOE para que não haja um governo de coligação de esquerdas", escreveu Iglesias, numa mensagem acompanhada de um vídeo. Mas também não deu carta-branca a Sánchez: "Estar ou não no Conselho de Ministros não será um problema, sempre que não haja mais vetos e a presença da Unidas Podemos no governo seja proporcional aos votos."

O PSOE teve 7,5 milhões de votos nas eleições de 29 de abril, e a Unidas Podemos teve 3,1 milhões.

A cedência de Iglesias surge após uma entrevista de Sánchez ao programa Al Rojo Vivo, da televisão La Sexta. "O principal obstáculo para um acordo é a participação de Iglesias no governo", tinha dito na quinta-feira. "Iglesias fala de presos políticos e eu preciso de um vice-presidente que defenda a democracia espanhola", acrescentou, deixando claro que o desacordo era grave quanto à Catalunha.

Sánchez submete-se na próxima segunda-feira ao debate de investidura e ainda não tem os apoios necessários, mas ameaçava levar o país a novas eleições a 10 de novembro. O apoio do Podemos e eventuais abstenções de outros partidos podem permitir uma investidura na segunda votação, prevista para quinta-feira.