Hungria recusa acusações da Amnistia sobre tratamento infligido a migrantes

A Amnistia Internacional publicou, esta terça-feira, um relatório onde acusa as autoridades húngaras de abusos e tratamento degradante aos refugiados

O Governo da Hungria negou esta terça-feira as acusações de abusos e tratamento degradante infligidos a refugiados e migrantes, formuladas num relatório da Amnistia Internacional (AI).

"Essas afirmações são falsas e absolutamente sem fundamento", afirmou o secretário de Estado do Interior húngaro, Karoly Kontrat, citado pela agência MTI.

Segundo o governante, a polícia destacada para a defesa das fronteiras cumpre a sua função de maneira "legal e decidida".

Kontrat assegurou que, antes do relatório da organização internacional de defesa dos direitos humanos, a Procuradoria húngara investigou críticas semelhantes feitas pela Human Rights Watch, concluindo que as acusações eram falsas.

A AI publicou esta terça-feira um relatório em que denuncia abusos e tratamento degradante infligidos aos refugiados por parte das autoridades húngaras.

"Milhares de candidatos a asilo sofrem abusos violentos, são repelidos ilicitamente e detidos ilegalmente pelas autoridades da Hungria e por um sistema flagrantemente delineado para os travar", afirma a organização internacional de defesa dos direitos humanos.

Centenas de candidatos a asilo esperam meses por uma resposta em "condições degradantes", afirma a organização, citando testemunhos de refugiados que dizem ter sido fisicamente agredidos e até perseguidos por cães.

O relatório da AI, divulgado a propósito do referendo de domingo na Hungria sobre o sistema europeu de quotas para o acolhimento de migrantes, qualifica a campanha para a consulta de "tóxica", com a colocação de centenas de cartazes por todo o país com mensagens que relacionam refugiados e migrantes com terrorismo e outros crimes violentos.

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