Hungria exige demissão do Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos

Zeid Ra'ad Al Hussein disse que os "xenófobos e os racistas estão destituídos de qualquer sentimento de vergonha" e deu o exemplo de Viktor Orban

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria exigiu hoje a demissão do Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, por ter acusado o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, de xenofobia e racismo.

"É muito desadequado altos responsáveis da ONU acusarem Estados membros e dirigentes eleitos democraticamente. É evidente que Zeid Al Hussein deve demitir-se", declarou o ministro Peter Szijjarto num discurso inflamado no Conselho de direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra.

Szijjarto referia-se ao discurso de abertura da 37.ª sessão do Conselho, pronunciado horas antes pelo Alto-Comissário.

Na intervenção, Al Hussein afirmou que "a opressão está na moda, o estado securitário está de volta e as liberdades fundamentais estão moribundas", frisando que, na Europa, os "xenófobos e os racistas estão destituídos de qualquer sentimento de vergonha, como Viktor Orban, que disse este mês que não quer que a sua cor [de pele] se misture com outras".

O ministro húngaro ficou surpreendido quando, ao iniciar a sua intervenção, reparou que o Alto-Comissário não estava presente na sala para ouvir a sua resposta.

"Onde está o Alto-Comissário agora? Porque não ouve as reações dos Estados membros?", questionou.

O ministro prosseguiu afirmando considerar que comparar o governo do seu país "às piores ditaduras do século passado é simplesmente inaceitável": "A Hungria é um país húngaro e pretendemos mantê-lo assim, como é nosso direito".

"A migração é perigosa. Podemos pará-la e devemos pará-la", acrescentou, alegando que a chegada "maciça" de migrantes à Europa em 2015 "permitiu às organizações terroristas enviar os seus combatentes para a Europa".

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