Hungria e Polónia apontam fracasso da política migratória da UE

Líderes dos governos dos dois países querem passar a ter uma voz mais forte dentro do bloco comunitário

A política migratória da União Europeia falhou, disseram ontem os primeiros-ministros da Hungria e da Polónia, reunidos em Budapeste. Viktor Orbán e Mateusz Morawiecki exigiram ainda que os seus dois países tenham uma voz mais forte dentro do bloco comunitário. "Em termos de migração e quotas que foram impostas aos Estados membros, rejeitamos veementemente tal abordagem, pois viola as decisões soberanas dos Estados membros", declarou Morawiecki, após o encontro com Orbán. "A política migratória da UE falhou", disse o húngaro.

Os dois defenderam ainda que esta posição está a ganhar terreno na Europa, apesar das pressões de que são alvo por parte de Bruxelas. "O vento está a virar", disse o novo primeiro-ministro polaco, na sua primeira visita a Budapeste desde que tomou posse, a 11 de dezembro, aludindo a "sinais em cada vez mais países, em diferentes eleições", com a subida de partidos hostis à imigração. "É claro que os povos europeus não querem a imigração, mesmo que muitos dirigentes continuem a promover essa política, que fracassou", afirmou Viktor Orbán.

Polónia, Hungria e República Checa, que recusaram cumprir o sistema de quotas de refugiados definido pela UE, foram judicialmente processados por Bruxelas, que apresentou queixa no Tribunal de Justiça Europeu. "Nós não vamos mudar a nossa política em matéria migratória", assegurou Morawiecki. Também Orbán garantiu que vai continuar "a recusar as quotas em 2018", ano que o primeiro-ministro húngaro pensa que será marcado por "grandes confrontações" e uma "derradeira oportunidade" na questão migratória no contexto europeu.

O húngaro citou ainda a eleição para chanceler austríaco do conservador Sebastian Kurz, partidário de um endurecimento da política migratória europeia, como um sinal do falhanço comunitário. "A Áustria é um exemplo de democracia na Europa", disse Orbán. "Chamem-lhe populismo, se quiserem, mas a vontade do povo deve prevalecer", acrescentou. "Vai ser assim por toda a Europa, é só uma questão de tempo."

Mateusz Morawiecki afirmou ainda que os países da Europa Central pretendem apresentar uma frente comum nas negociações para o próximo orçamento comunitário, que começam em 2021. "Queremos ter uma voz forte, já que estes países têm uma visão sobre o futuro da Europa", sublinhou Viktor Orbán.

No encontro de ontem na capital húngara, os dois líderes pareceram ter uma boa relação pessoal, reforçando a aproximação diplomática de Budapeste e Varsóvia dentro da União Europeia. Ambos integram o Grupo de Visegrado, do qual fazem ainda parte República Checa e Eslováquia.

Sinal dessa aproximação foi dado quando, em dezembro, a Comissão acionou o artigo 7.º contra a Polónia, após concluir que existe um "risco claro de grave violação do Estado de direito" no país. Orbán garantiu que a Polónia iria exercer o seu direito de veto para impedir a aplicação de sanções contra Varsóvia.

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