Governo da Hungria acusa George Soros de querer "causar distúrbios" por financiar opositores 

O primeiro-ministro acusa o multimilionário de financiar grupos que discordam das políticas de imigração do governo e das restrições na fronteira

A Hungria acusou o multimilionário norte-americano natural daquele país, George Soros, de provocar agitação social, por financiar grupos opositores do Governo na temática da imigração.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban disse hoje, na rádio nacional Kossuth, que Soros "tenta causar distúrbios" e referiu o apoio financeiro que o magnata dá a grupos que contestam a política do Governo de direita contra a imigração.

"Soros opõe-se ao Governo ao apoiar grupos não governamentais que querem travar a posição das autoridades na questão migratória".

Orban disse que o povo húngaro "não apoia a política migratória dos países europeus", mas George Soros "tenta criar distúrbios" com o apoio financeiro aos referidos grupos.

Cerca de 300 mil migrantes e refugiados passaram pela Hungria no ano passado no contexto da crise migratória, antes que a cerca de ferro fosse levantada no outono por decisão do Governo, que introduziu leis fortes contra a imigração.

Apesar das medidas, fontes oficiais da Hungria referem que mais de 13.400 pessoas entraram no país de forma ilegal desde janeiro de 2016.

Soros, que disse em janeiro que a União Europeia estava "a cair aos bocados", apelou à União para que acolhesse "pelo menos um milhão de requerentes de asilo por ano".

Natural de Budapeste e nascido numa família judia, George Soros refugiou-se na Inglaterra devido ao anti-semitismo que caracterizou o regime nazi II Guerra Mundial e provocou o genocídio de judeus.

Desde que se mudou para os Estados Unidos da América, em 1950, George Soros começou a financiar grupos não governamentais de todos o mundo, incluindo grupos dissidentes da União Soviética em 1980, entre os quais estava Orban também.

Orban tornou-se admirador e aliado de Vladimir Putin, que subiu ao poder em 1999 como primeiro-ministro da Federação russa.

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Anselmo Borges

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