Hong Kong anuncia interdição temporária do espaço aéreo a aviões Boeing 737 MAX

O Departamento de Aviação Civil (CAD) de Hong Kong anunciou esta quarta-feira a interdição dos aviões Boeing 737 Max de usarem o espaço aéreo do território, na sequência do acidente na Etiópia que causou 157 mortos.

A proibição temporária tem início a partir das 18:00 (10:00 em Lisboa), pode ler-se no comunicado.

"O CAD tem monitorizado de perto os desenvolvimentos, o andamento da investigação e as informações das autoridades aeronáuticas. Tendo em conta a situação mais recente, (...) decidiu proibir temporariamente a operação de aviões Boeing 737 Max", segundo um porta-voz da entidade citado na nota.

Para justificar a decisão, o porta-voz frisou que houve dois acidentes graves com aeronaves 737 Max em menos de cinco meses, destacando ainda que o CAD mantém "contacto próximo" com a Agência Federal de Aviação norte-americana, a autoridade de certificação daquele tipo de aeronave. O CAD está também em contacto com as duas companhias aéreas que usam este modelo da Boeing para voar de e para o aeroporto internacional de Hong Kong.

"A proibição temporária é apenas uma medida de precaução para garantir a segurança da aviação e proteger o público", enfatizou.

Recentemente, a SpiceJet da Índia e a Globus Airlines da Rússia usaram aviões Boeing 737 Max para operar voos de e para o aeroporto internacional de Hong Kong, o que levou o CAD a contactar as duas companhias aéreas, que manifestaram a intenção "de cooperar plenamente", pelo que iam manter os serviços com outros tipos de aparelhos, de modo a reduzir o impacto junto dos passageiros.

Hoje também, o governo indiano, os Emirados Árabes Unidos, a Malásia, a Nova Zelândia e as ilhas Fiji anunciaram a mesma decisão.

Após a mesma decisão por Omã, a interdição decretada pelos Emirados Árabes Unidos (EAU) traduz-se no fecho de dois mercados-chave na Península Arábica, num momento em que vários países já haviam tomado igual iniciativa.

A Agência Europeia de Segurança Aérea determinou na terça-feira o encerramento do espaço aéreo europeu a dois modelos Boeing 737 Max.

Em comunicado enviado à Lusa, a Agência Europeia de Segurança Aérea (EASA) sublinhou que, na sequência do acidente envolvendo o Boeing 737 MAX 8, da Ethiopian Airlines, "toma todas as medidas necessárias para assegurar a segurança dos passageiros".

Irlanda, França, Alemanha, Reino Unido, Austrália, Omã, Singapura, China, Indonésia, Coreia do Sul e Mongólia proibiram, antes desta diretiva, voos daquele modelo da Boeing nos seus espaços aéreos.

Algumas empresas de aviação decidiram manter os Boeing 737 Max 8 em terra.

Entre as empresas que optaram por suspender os voos do Boeing 737 Max 8 estão a Norwegian, o Icelandair Group, o Tui Group (a maior operadora de turismo do mundo), a Aerolineas Argentinas, a Aeroméxico, a brasileira Gol, a indiana Jet Airways, a marroquina Royal Air Maroc e a própria Ethiopian Airlines.

O Reino Unido foi o primeiro país europeu a suspender os voos do Boeing 737 MAX 8, seguido pela Alemanha.

O Boeing 737 Max 8 da Ethiopian Airlines despenhou-se no domingo de manhã, poucos minutos depois de ter descolado de Adis Abeba para a capital do Quénia, Nairobi.

Na terça-feira, a Boeing indicou que irá atualizar o 'software' de controlo de voo da aeronave 737 Max para a tornar "ainda mais segura" antes de abril, data limite imposta pela Agência Federal de Aviação norte-americana.

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