H&M obrigada a fechar lojas por causa de protestos anti-racismo

Manifestantes derrubaram manequins e prateleiras e espalharam roupas. Líder do partido da oposição avisou: "Isto é apenas o começo"

A empresa sueca de vestuário H&M foi obrigada a encerrar temporariamente várias lojas na África do Sul, este sábado, depois de vários protestos relacionados com a polémica em torno da camisola "Monkey".

A marca de roupa utilizou um modelo infantil negro para vestir uma camisola em que se lê "o macaco mais fixe da selva", numa fotografia que estava exposta no catálogo online da loja no Reino Unido.

Os manifestantes, apoiantes do segundo maior partido de oposição da África do Sul, Economic Freedom Fighters, reuniram-se nos locais onde existem lojas da H&M, acusando a empresa de racismo.

Vídeos e imagens das manifestações mostram que a revolta chegou ao interior das lojas, onde algumas pessoas derrubaram manequins e prateleiras e espalharam roupas.

A empresa decidiu fechar as lojas para proteger funcionários e clientes, de acordo com o The New York Times.

"Nenhum de nossos funcionários ou clientes ficou ferido", refere a H&M, em comunicado. "Continuamos a monitorizar a situação de perto e abriremos as lojas assim que for seguro. Acreditamos firmemente que o racismo de qualquer forma, deliberada ou acidental, é simplesmente inaceitável", lê-se no documento.

Os protestos tiveram lugar em centros comerciais na Cidade do Cabo e em Pretória, e em várias áreas nas proximidades de Joanesburgo, incluindo Sandton, Midrand e Boksburg. Nas redes sociais, houve quem apoiasse os manifestantes, mas também quem criticasse a destruição nas lojas.

Julius Malema, o líder do partido, que já foi membro do Congresso Nacional Africano, discursou no sábado e inflamou ainda mais a multidão: "Não pedimos desculpa pelo que os combatentes fizeram hoje contra aquela loja chamada H&M", adiantando que as lojas eram "apenas o começo" e apelou ao encerramento da loja "que prejudica os negros".

A imagem da polémica já foi removida do site da H&M e a empresa pediu desculpas, tendo adiantado que a camisola já não se encontra à venda. "O que fizemos foi errado. Concordamos que mesmo o racismo involuntário, passivo ou casual tem de ser erradicado onde quer que exista", pode ler-se no site da marca.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Adriano Moreira

O relatório do Conselho de Segurança

A Carta das Nações Unidas estabelece uma distinção entre a força do poder e o poder da palavra, em que o primeiro tem visibilidade na organização e competências do Conselho de Segurança, que toma decisões obrigatórias, e o segundo na Assembleia Geral que sobretudo vota orientações. Tem acontecido, e ganhou visibilidade no ano findo, que o secretário-geral, como mais alto funcionário da ONU e intervenções nas reuniões de todos os Conselhos, é muitas vezes a única voz que exprime o pensamento da organização sobre as questões mundiais, a chamar as atenções dos jovens e organizações internacionais, públicas e privadas, para a necessidade de fortalecer ou impedir a debilidade das intervenções sustentadoras dos objetivos da ONU.