Hamas acorda devolução de Gaza à Autoridade Palestiniana

Presidente egípcio considerou acordo a antecâmara da "paz justa entre palestinianos e israelitas". Netanyahu quer reconhecimento de Israel e desarmamento de islamitas.

O movimento Hamas e a Fatah, principal componente da Autoridade Palestiniana (AP) presidida por Mahmoud Abbas, assinaram ontem um acordo de reconciliação em que o primeiro se compromete a devolver a Faixa de Gaza ao executivo da AP, reconhecido pela comunidade internacional. O Hamas controla o território desde junho 2007, após breve mas violento conflito armado entre as duas organizações na sequência da vitória eleitoral dos islamitas em Gaza nas eleições do ano anterior.

O acordo entre o Hamas (acrónimo de Movimento de Resistência Islâmica) e a Fatah foi mediado pelas autoridades egípcias e a assinatura sucedeu no Cairo. No acordo prevê-se a transferência do poder administrativo para a AP, uma decisão interpretada como o reconhecimento do movimento islamita da difícil posição em que se encontrava o território desde junho, quando o seu principal apoio, o Qatar, se viu sujeito a um embargo total dos vizinhos Arábia Saudita, Koweit, Emiratos Árabes Unidos e Egito.

O Qatar era o principal apoio do Hamas desde a queda da presidência de Mohamed Morsi em 2013 no Egito. O Hamas tinha até então no regime da Irmandade Muçulmana o seu maior aliado. A confraria egípcia é considerada a principal inspiração para a criação do movimento palestiniano. Desde março, a AP reduziu o fornecimento de eletricidade a Gaza a apenas algumas horas por dia assim como reduziu a transferência de verbas de forma substancial.

O controlo do território, incluindo a passagem de Rafah na fronteira com o Egito, produz efeitos a partir de 1 de dezembro.

Numa primeira reação ao acordo da capital egípcia, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, considerou que qualquer processo de reconciliação entre palestinianos deve pautar-se pelas regras internacionais e segundo os termos definidos pelo Quarteto para o Médio Oriente (ONU, UE, EUA e Rússia). Nestes termos constam o reconhecimento do Estado de Israel e o desarmamento do Hamas, que as autoridades israelitas assim como a UE e os EUA classificam como organização terrorista.

O principal negociador do Hamas, Saleh al-Arouri, considerou o acordo como "imprescindível" para a unidade dos palestinianos na luta "contra o projecto sionista, que espezinha os direitos do nosso povo". Por seu turno, o chefe da delegação da Fatah, Azzam al-Ahmad, destacou os "esforços sem precedente do Egito para se chegar à reconciliação", considerando-a essencial face "à mudança da conjuntura regional e internacional". Antes do início do ciclo final de reuniões, que começaram terça-feira na sede dos serviços de informações egípcios, o presidente deste país, Abdel Fattah el-Sissi, declarou que a reconciliação Hamas-AP deve anteceder "a preparação de uma paz justa entre palestinianos e israelitas".

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