Habitantes de Fukushima contra estátua de criança "radioativa"

A peça, intitulada "Sun Child", retrata uma criança com o fato amarelo vestido e um capacete numa das mãos, enquanto que com a outra segura uma representação do sol

Os moradores da cidade japonesa de Fukushima estão a exigir que a estátua do artista Kenji Yanobe - uma criança vestida com um equipamento de proteção contra radiações - seja retirada do exterior da estação ferroviária, alegando que a peça pode passar a imagem que a localidade não pode ser habitada em resultado do desastre nuclear que se seguiu ao sismo e tsunami de 2011 e foi considerado o pior desde Chernobyl em 1986.

A estátua, de Kenji Yanobe, intitulada "Sun Child", retrata uma criança com o fato amarelo vestido e um capacete numa das mãos, enquanto com a outra segura uma representação do sol.

A peça foi instalada pelo governo municipal na estação ferroviária depois de percorrer várias exposições de arte, e o objetivo, segundo o autor, é "expressar o desejo de um mundo livre de armas nucleares", conta o The Guardian.

Yanobe defendeu-se e garantiu que nunca quis passar a ideia de que as crianças da cidade ainda precisavam de proteção contra a radiação, sete anos após o acidente na fábrica Fukushima Daiichi, o mais grave desastre nuclear desde Chernobyl.

O artista explicou que a criança representada na peça não está a usar o capacete e que o monitor no peito mostra níveis de radiação nulos: "000".

A estátua "vai causar danos à reputação de Fukushima, porque dá a impressão de que as pessoas não podem viver na cidade sem equipamentos de proteção", lia-se num dos cartazes dos manifestantes, que expressaram a sua indignação nas ruas de Fukushima, segundo a agência de notícias Kyodo News. Houve quem sublinhasse que a leitura do monitor induzia os visitantes em erro, uma vez que as áreas que não foram afetadas pelas radiações apresentam níveis variados de radiação de fundo.

O autarca da cidade, Hiroshi Kohata, defendeu a decisão de instalar a estátua, e disse acreditar que a criança parece esperançosa sobre o futuro de Fukushima, além de que o símbolo do sol seria uma referência à necessidade de desenvolver fontes de energia limpas.

A polémica com a estátua "Sun Child" acontece numa altura em que as autoridades locais tentam persuadir as famílias a voltarem para os bairros desalojados. Poucos moradores regressaram às suas casas e as famílias com crianças pequenas são as mais reticentes em voltar.

A cidade foi declarada segura em setembro de 2015.

Ler mais

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?