Habitantes das ilhas gregas propostos para Nobel da Paz

Pescadores, donas de casa, pensionistas, professores, voluntários ou até um militar. Este é o perfil dos habitantes das ilhas gregas que têm ajudado milhares de refugiados.

Um grupo de académicos de destacadas universidades mundiais, entre elas Oxford, Princeton e Harvard, prepara a candidatura a Prémio Nobel da Paz do povo de Lesbos, Kos, Chíos, Samos, Rodes e Leros, noticiou ontem o jornal diário britânico The Guardian no seu site de internet. A mesma fonte refere que os promotores da iniciativa já se reuniram com o ministro grego da Imigração, Yiannis Mouzalas, o qual lhes terá oferecido todo o apoio por parte do governo da Grécia.

A iniciativa tem como base uma petição online lançada pela organização Avaaz.org, que às 17.00 de hoje contava com 308 242 assinaturas num total de 500 mil que precisa. O prazo para apresentação de candidatos ao Nobel da Paz termina no próximo dia 1 de fevereiro.

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No texto colocado na página da petição lê-se a seguinte argumentação: "Desde o início da crise dos refugiados, pescadores, donas de casa, pensionistas, professores, todos habitantes das ilhas gregas e voluntários, abriram as portas das suas casas e os seus corações, para salvar refugiados, crianças, homens e mulheres que fogem da guerra e do terror".

Na memória de todos ficou a imagem do militar grego Antonis Deligiorgis de 34 anos que, em dezembro, salvou a vida a 20 refugiados na ilha grega de Rhodes. O sargento estava com a mulher Theodora num café junto ao mar, depois de deixarem os filhos na escola, quando viu o naufrágio.

Dos 1,5 milhões de refugiados que chegaram à Europa em 2015, cerca de 900 mil entraram via Grécia, sendo metade deles oriundos de território sírio.

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