Há cada vez mais refugiados a encontrar trabalho na Alemanha

Números vêm dar argumentos aos que apoiam a decisão da chanceler Angela Merkel de permitir a entrada em massa de migrantes. Só em 2015 entraram mais de um milhão no país.

Há cada vez mais refugiados a encontrar emprego na Alemanha, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira, o que vem dar argumentos aos que apoiam a decisão da chanceler alemã, Angela Merkel, de permitir a sua entrada no país. Só em 2015 chegaram à Alemanha mais de um milhão de refugiados oriundos de países como o Iraque, a Síria e o Afeganistão.

O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) disse que a chegada de novos migrantes vai constituir um fardo para o sistema de bem-estar e economia do país. Porém, o líder do Ministério do Trabalho da Alemanha, Detlef Scheele, disse à agência de notícias DPA que não há motivo para ser pessimista em relação à capacidade do país em lidar com o número recorde de chegadas. "Vai correr tudo bem. Estes são bons números, que também têm em conta que as pessoas chegam aqui por razões humanitárias e não para procurar emprego", disse Scheele.

Dados do Ministério do Trabalho alemão mostram que o número de migrantes empregados que chegam dos oito países com o maior número de pedidos de asilo (Síria, Iraque, Guiné, Tunísia, Mali, Marrocos, Eritreia e Afeganistão) aumentou em mais de cem mil - para os 306 574 em maio deste ano - comparando com o mesmo mês em 2017.

Falta de trabalho qualificado

Dados indicam que três em cada quatro migrantes têm um contrato de trabalho no qual a empresa e o empregado pagam a totalidade das deduções para a segurança social. Além disso, pelo menos 500 mil pessoas que estavam a procurar trabalho em julho vinham dos oito principais países de onde são oriundos os pedidos de asilo, estando incluídas as que estão a completar cursos de integração e língua estrangeira. Destas, quase 197 mil pessoas estavam inscritas como desempregadas, números semelhantes aos do ano anterior.

A falta de mão-de-obra qualificada e de jovens dispostos a aceitar estágios que se podem prolongar até três anos e meio constituíram grandes preocupações para as empresas e as autoridades alemãs. Nos últimos vinte anos, as vagas para estágios remunerados de longa duração atingiram o nível mais elevado, ficando alguns lugares por preencher num terço das empresas.

O número de recém-chegados à Alemanha tem vindo a diminuir neste ano, em parte devido a controlos fronteiriços mais rigorosos em toda a Europa, bem como regras mais rígidas de asilo na Alemanha e noutros países.

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