Guterres no Mali para assinalar Dia Internacional dos 'Capacetes Azuis'

O secretário-geral das Nações Unidas está em Bamako para honrar os mais de "3,7 mil 'capacetes azuis' que morreram em ação"

O secretário-geral das Nações Unidas chegou esta terça-feira a Bamako para assinalar o Dia Internacional dos Soldados da Paz, conhecidos como 'capacetes azuis', junto da missão da ONU no Mali, considerada a mais perigosa das atuais operações da organização.

"É uma honra para mim passar o Dia dos 'Capacetes Azuis' com os homens e as mulheres corajosos que servem a nossa missão no Mali, a mais mortífera para nós no ano passado. Por sua conta e risco, eles salvam vidas ao serviço da paz", declarou António Guterres, momentos depois de ter chegado à capital do Mali, onde foi recebido pelo Presidente Ibrahim Boubacar Keïta.

Após uma breve receção no aeroporto, Guterres seguiu para a base da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização do Mali (Minusma, na sigla em inglês) para participar numa cerimónia de homenagem aos 'capacetes azuis' mortos em 2017, segundo testemunhou um jornalista da agência noticiosa francesa France Presse (AFP).

"Pelo quarto ano consecutivo, a missão de manutenção de paz no Mali sofreu em 2017 a maior perda de vidas humanas, com 21 'capacetes azuis' e sete civis mortos", indicou a ONU na semana passada.

Num vídeo divulgado por ocasião da data comemorativa, António Guterres expressou a sua gratidão "a mais de um milhão de homens e de mulheres que serviram, sob a bandeira da ONU, e salvaram inúmeras vidas" ao longo de 70 anos de missões de paz.

"Honrámos os mais de 3,7 mil 'capacetes azuis' que morreram em ação, pagando com o preço final. Também prestamos tributo às 14 missões que atualmente estão a operar durante 24 horas para proteger as pessoas e para avançar com a causa da paz", declarou o secretário-geral da ONU, no mesmo vídeo.

"Ao reconhecermos o legado de serviço e de sacrifício em todo o mundo, também expresso o meu compromisso com a ação pela manutenção de paz, uma ação para tornar as nossas operações mais seguras e mais eficientes nos ambientes desafiadores que temos atualmente", reforçou o representante, salientando ainda o papel desempenhado por estas missões na promoção dos direitos humanos e na luta contra a exploração e abusos sexuais.

"As missões de manutenção de paz das Nações Unidas são um investimento garantido na paz, na segurança e na prosperidade globais", concluiu.

Destacada em 2013, a Minusma, que integra cerca de 12.500 militares e polícias, é atualmente a missão de paz da ONU com mais baixas.

A missão perdeu mais de 160 'capacetes azuis', dos quais 102 em atos hostis, mais de metade dos soldados da ONU mortos durante o mesmo período no mundo.

Guterres estará dois dias em Bamako e na respetiva província, acompanhado por outros representantes da ONU, como o secretário-geral adjunto para as missões de manutenção de paz, Jean-Pierre Lacroix, e a diretora da Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Henrietta Fore.

Entre março e abril de 2012, o norte do Mali caiu nas mãos de grupos extremistas com ligações à rede terrorista Al-Qaida.

A progressão no terreno destes grupos extremistas tem sido travada por uma operação militar internacional que foi lançada em janeiro de 2013, por iniciativa de França.

Existem áreas inteiras do país que ainda estão fora do alcance das forças do Mali, das tropas francesas e da Minusma, que são regularmente alvo de ataques.

Estes ataques têm ocorrido mesmo depois da assinatura em maio e junho de 2015 de um acordo de paz, destinado a isolar definitivamente os extremistas.

Desde 2015, os ataques alastraram-se para o centro e o sul do Mali, mas também para países vizinhos, nomeadamente Burkina Faso e Níger.

O Dia Internacional dos Soldados da Paz também foi hoje assinalado em Lisboa, numa cerimónia militar que contou com a presença, entre outras figuras, do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Em fevereiro passado, o ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, indicou que Portugal tem um historial de envolvimento de mais de 11 mil militares em missões das Nações Unidas, 15 missões, em quatro continentes.

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Nuno Artur Silva

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