Guterres exige "a verdade" sobre desaparecimento do jornalista saudita

"Precisamos de saber exatamente o que aconteceu e precisamos de saber exatamente quem é responsável", disse António Guterres sobre o desaparecimento do jornalista. Investigadores turcos afirmam dispor de gravações vídeo e áudio que provam que Jamal Khashoggi foi assassinado

O secretário-geral da ONU, António Guterres, exigiu "a verdade" sobre o desaparecimento do jornalista saudita Jamal Khashoggi, visto pela última vez no início do mês ao entrar no consulado do seu país em Istambul, Turquia.

Em declarações à cadeia de televisão britânica BBC, António Guterres manifestou a sua preocupação por este género de desaparecimentos acontecerem de forma cada vez mais frequente e que sejam consideradas como algo "normal".

Jamal Khashoggi, colaborador do jornal norte-americano The Washington Post e um reconhecido crítico do poder em Riade, está dado como desaparecido desde que entrou, no passado dia 2 de outubro, no consulado saudita em Istambul para tratar de questões administrativas.

Investigadores turcos disseram a responsáveis norte-americanos que dispõem de gravações vídeo e áudio que comprovam que Jamal Khashoggi foi interrogado, torturado, assassinado e desmembrado no interior do edifício por uma equipa da segurança saudita. Riade nega as acusações.

"Precisamos de saber exatamente o que aconteceu e precisamos de saber exatamente quem é responsável", declarou Guterres à BBC, em Bali, à margem da reunião do FMI.

Guterres admitiu sentir-se "preocupado" por este tipo de desaparecimentos serem considerados normais e ressalvou que "é essencial" garantir que a comunidade internacional "diga claramente que isto não é uma coisa que possa acontecer".

"Num momento em que estas situações se estão a multiplicar, acredito que precisamos encontrar uma maneira de garantir que a responsabilidade também seja exigida", afirmou.

Em sua opinião, uma vez esclarecido o que aconteceu, os governos deveriam responder de "maneira apropriada" se participariam numa conferência de investimentos agendada para este mês em Riade.

Segundo o Washington Post, os serviços de informações norte-americanos tinham conhecimento de um projeto saudita, que envolveria o príncipe herdeiro, Mohammed Ben Salmane, destinado a atrair o jornalista de 59 anos para uma armadilha, com o objetivo de detê-lo e transportá-lo para o país do Médio Oriente.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, já advertiu que o seu país não vai ficar em silêncio e sem reação face a este desaparecimento.

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