"Guerra suja" aos media. 200 jornais publicam editoriais contra Trump

Iniciativa partiu do Boston Globe e nesta quinta-feira, 16 de agosto, mais de duas centenas de jornais por todos os EUA vão publicar editoriais a condenar as declarações do presidente contra os media.

A ideia partiu do The Boston Globe , mas a este juntaram-se The New York Times , The Denver Post , The Philadelphia Inquirer , The Chicago Sun-Times, num total de mais de 200 jornais que aceitaram publicar nesta quinta-feira, 16 de agosto, editoriais a condenar o que veem como uma guerra declarada por Donald Trump aos media.

"A guerra suja à liberdade de imprensa tem de terminar", lia-se no apelo lançado pelo Boston Globe e enviado às redações um pouco por toda a América, sugerindo que no dia 16 escrevessem um editorial a denunciar a hostilidade do presidente em relação aos media.

"Propomos publicar um editorial a 16 de agosto sobre os perigos do ataque à imprensa praticado pela administração e pedimos aos outros que se empenhem em publicar o seu próprio editorial na mesma data", escreveu Marjorie Pritchard, diretora executiva adjunta doBoston Globe.

Reação às fake news

Foi ainda durante a campanha para as presidenciais americanas que Donald Trump começou a denunciar as fake news (as notícias falsas, do seu ponto de vista) de que dizia ser alvo. A expressão manteve-se depois de chegar à Casa Branca e o presidente não tem hesitado em apontar os media como o inimigo.

Num comício em Filadélfia, no início do mês, o presidente voltou a denunciar os "media falsos e nojentos", apontando para os jornalistas destacados para fazer a cobertura do evento no local e acusando-os de "só saberem inventar mentiras". E mais tarde, no Twitter, a sua rede social de eleição, Trump recuperou a expressão "inimigo do povo" para garantir que os media não são apenas o seu inimigo.

Uma das bestas negras de Trump é a CNN e, sobretudo, o jornalista Jim Acosta. Em finais de julho, o presidente recusou aceitar uma pergunta de Acosta durante uma conferência de imprensa no Reino Unido, onde se encontrava de visita, alegando que a "CNN é fake news. Não aceito perguntas da CNN".

Poucos dias depois, Acosta foi rodeado por apoiantes de Trump durante um comício deste em Tampa, na Florida, tendo sido insultado e forçado a deixar o local. "A CNN não presta", gritavam num vídeo partilhado pelo jornalista no Twitter. "Apenas uma amostra da cena triste que vivemos no comício de Trump em Tampa. Estou muito preocupado com a hostilidade alimentada por Trump e por alguns dos media conservadores e que acabe em feridos. Não devíamos tratar os outros americanos desta forma. A imprensa não é o inimigo."

No dia seguinte, Acosta confrontou a porta-voz da Casa Branca perguntando-lhe se a administração considera os media como o inimigo. Sarah Huckabee Sanders evitou o assunto, preferindo não responder.

Nos últimos dias, multiplicaram-se os alertas para a violência que a retórica usada por Trump contra os media pode gerar, inclusive por parte da ONU. Primeiro foram os peritos em direitos humanos David Kaye e Edison Lanza e mais tarde o próprio comissário para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein, a denunciar o caso. Numa entrevista ao The Guardian, o jordano garantiu que as palavras de Trump "estão muito perto do incitamento à violência".

Da imprensa local ao The New York Times

"Não somos o inimigo do povo", garantia numa recente entrevista ao The New York Times Marjorie Pritchard, a autora do apelo enviado às redações americanas. A diretora, responsável pelas páginas de opinião do Boston Globe, explicou como o seu jornal apostou num "esforço coordenado por todo o país" para chamar a atenção para a importância da liberdade de imprensa.

Fundado em 1851, vencedor de 125 prémios Pulitzer e com uma circulação diária de quase 900 mil, o The New York Times foi um dos jornais que se juntaram ao apelo do Boston Globe, tal como outras grandes publicações. Mas as respostas positivas vieram de todos os lados, inclusive da imprensa local, como o Oakridger, de Oak Ridge, no Tennessee, ou o The Griggs County Courier, de Copperstown, no Dakota do Norte.

Cada jornal vai elaborar o seu próprio editorial. O tema é que é comum.

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