Guerra ao terror já custou mais de 5 biliões de euros

Os Estados Unidos já gastaram e têm compromissos até ao fiscal de 2019 num total de 5,9 biliões de dólares (5,2 biliões de euros) na guerra ao terror iniciada na presidência de George W. Bush em 2001, na sequência dos ataques terroristas de 11 de setembro.

O valor astronómico foi calculado por Neta C. Crawford, professora e diretora do Departamento de Ciência Política da Universidade de Boston e co-diretora do projeto Costs of War no Instituto Watson de Relações Públicas e Internacionais da Universidade Brown.

O valor de 5,2 biliões de euros valor inclui os gastos diretos e obrigações relacionadas com as despesas militares nas zonas de conflito mas também com as despesas futuras com os veteranos de guerra até 2059 e inclui também os gastos do governo em consequência desses conflitos.

Esta estimativa mais do que duplica os números do Pentágono sobre as guerras pós-11 de Setembro. Em agosto, os gastos conjuntos do Departamento de Defesa e do Departamento de Estado totalizaram 2,02 biliões de dólares (1,78 biliões de euros).

Afeganistão é a missão mais cara

Das ações militares no Iraque, Síria, Afeganistão, Paquistão e noutros lugares designados como "operações de contingência no exterior" iniciadas em 2001, a mais onerosa é a do Afeganistão (861 mil milhões de euros), seguido do Iraque (726 mil milhões de euros)

No relatório anual lê-se ainda que se os EUA não mudarem de política os custos com a guerra continuarão a crescer. "Mesmo que as guerras terminassem em 2023, os EUA ainda teriam de gastar um adicional de 714 mil milhões de euros para totalizar pelo menos 5,9 biliões de euros, não incluídos os juros futuros".

O relatório de Crawford lembra ainda que os custos associados com o número de veteranos também tenderá a aumentar.

O presidente George W. Bush reagiu no dia 20 de setembro de 2001 aos ataques terroristas da Al-Qaeda ao declarar no Congresso a guerra ao terror.

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