Guaidó promete tudo fazer para garantir a segurança da comunidade portuguesa

O autoproclamado presidente interino da Venezuela alerta para a situação "muito crítica" do seu país e para a "muito grave" questão humanitária.

Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino da Venezuela, garantiu esta sexta-feira, em entrevista à RTP, que está a ser feito "todos os possíveis" para garantir a segurança da comunidade portuguesa, composta por mais de 300 mil pessoas, naquele país que se encontra a atravessar uma grave crise económica e política.

"Houve 700 mil mortos em 15 anos anos. Caracas é a capital mais violenta do mundo, mas estamos a fazer todos os possíveis, para salvaguardar a comunidade portuguesa na Venezuela, que para nós é importantíssima e trouxe um grande desenvolvimento ao nosso país, nomeadamente à nossa indústria e ao nosso comércio", frisou Guaidó, cuja presidência interina já foi reconhecida pela União Europeia e pelo Governo português.

Guaidó assumiu ainda que será feito tudo "para salvaguardar também as comunidades italiana e espanhola", mas também "os venezuelanos que estão a ser perseguidos", acrescentando que "os indígenas que no sul estão a ser torturados para serem integrados em grupos irregulares como o Exército de Libertação Nacional, grupos terroristas que vão comprar armas à Colômbia".

E nesse sentido alertou que "a situação na Venezuela é muito crítica e a questão humanitária é muito grave", falando que há uma violação sistemática dos direitos humanos", o que contraria a constituição venezuelana.

Sobre o facto de Nicolás Maduro ter reafirmado esta sexta-feira que não irá convocar eleições antecipadas porque a oposição não irá aparecer porque quer fazer um golpe de Estado, Juan Guaidó fez um paralelismo curioso para justificar as atitudes do atual presidente da Venezuela. "O regime de Maduro quer entrar em campo para jogar futebol, mas com o adversário com os pés amarrados e com ele como arbitro. Nós queremos eleições livres", sublinhou, admitindo que a realização de um ato eleitoral poderá demorar entre "seis a nove meses" a preparar.

"Primeiro do que tudo, é preciso acabar com a usurpação do poder e a ditadura, depois é preciso permitir a inscrição de novos eleitores e garantir o funcionamento das instituições para que a democracia possa ser exercida", explicou Guaidó, lembrando que atualmente "a Venezuela é uma ditadura e é preciso respeitar as regras do jogo", algo que diz só ser possível com o bom funcionamento das instituições.

Juan Guaidó recusou revelar se será candidato a umas futuras eleições presidenciais livres, alegando que "é prematuro dizê-lo" e prefere centrar-se no que é preciso para criar condições para todos aqueles que vivem na Venezuela, nomeadamente através da ajuda humanitária. "Já contactámos as forças armadas para permitir a entrada de ajuda. Além disso, já temos 100 milhões dólares (88 milhões de euros] aprovados e prontos para aplicar em ações humanitárias para salvar vidas. Estamos a constituir um grande grupo de voluntariado para podermos executar essa ajuda aos venezuelanos", revelou.

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