Guaidó admite aceitar intervenção militar dos EUA

Presidente da Assembleia Nacional da Venezuela admite ter sobrevalorizado o apoio dos militares e não exclui a necessidade de aceitar a ajuda dos americanos: "Estamos a avaliar todas as hipóteses".

O líder da oposição da Venezuela, Juan Gaidó, admitiu que sobrevalorizou o apoio dos militares e não colocou de parte a hipótese de uma intervenção militar americana no país. Em declarações ao Washington Post, Guaidó afirmou que "provavelmente" a Assembleia nacional aprovaria essa intervenção "caso fosse necessária".

Questionado sobre o que faria se o assessor de segurança de Trump, John Bolton, ligasse oferecendo ajuda militar americana, o presidente da Assembleia Nacional disse que responderia: "Querido amigo, embaixador John Bolton, obrigado por toda a ajuda que tem dado à nossa justa causa aqui. Obrigado pela oferta, vamos avaliá-la e provavelmente será considerada no parlamento para resolver esta crise. Se necessário, talvez a aprovemos."

Apesar dos Estados Unidos defenderem uma transição pacífica para a Venezuela, na última sexta-feira, depois de reunir-se com Bolton, Patrick Shanahan, diretor do Pentágono, revelou que "todas as opções estão em cima da mesa". Guaidó não escondeu que esta foi "uma grande notícia": "Nós estamos a avaliar todas as opções. É bom saber que aliados importantes, como os EUA, estão também analisando todas as opções. Isso dá-nos a possibilidade de saber que, se precisarmos de ajuda, a poderemos ter."

O presidente da Assembleia Nacional admitiu que esperava que neste momento Maduro já tivesse resignado da presidência do país. Guaidó reconheceu que a oposição tinha calculado mal o apoio dentro das Forças Armadas durante a tentativa de golpe contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro no dia 30 de março. "Talvez porque ainda precisemos de mais soldados, e talvez precisemos de mais funcionários do regime dispostos a apoiar-nos", diz.

Ele reconheceu que o plano implementado pela oposição não funcionou mas não vai desistir: "O facto de termos feito o que fizemos não ter tido sucesso na primeira vez, não significa que não seja válido", disse. "Estamos enfrentando um muro que é uma ditadura absoluta. . . . Reconhecemos nossos erros - o que não fizemos e o que fizemos a mais." O que não está disposto a fazer é sentar-se à mesa e negociar com Maduro, enquanto ele não se demitir: "Isso aconteceu em 2014, em 2016, em 2018... O fim da usurpação é uma pré-condição para qualquer possível diálogo."

No sábado, Maduro pediu às Forças Armadas venezuelanas para estarem "mais unidas e coesas do que nunca", depois da tentativa falhada de levantamento militar na terça-feira. "Não somos um país fraco, nem desprotegido. Somos um país com uma Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) poderosa, que deve estar cada vez mais unida, coesa e leal do que nunca", afirmou, durante uma visita a um centro de treinos militar, no estado de Cojedes.

Maduro pediu aos cadetes para que "estejam atentos aos "traidores" e que tenham uma "lealdade ativa".

O presidente pediu no sábado para que as forças armadas estejam "prontas" caso os EUA decidam lançar uma ofensiva militar em solo venezuelano.

Exclusivos