Greve bloqueia plataformas petrolíferas, centrais nucleares e transportes

Entre 20 a 30% das gasolineiras já estão sem combustíveis. A greve também afeta a aviação, com vários voos cancelados

Os bloqueios dos centros industriais e nas infraestruturas de transportes multiplicaram-se hoje em França, especialmente nas plataformas petrolíferas e centrais nucleares, em ações de protesto contra a reforma laboral.

A Confederação Geral do Trabalho indicou que a paralisação atinge as 19 centrais nucleares do país-- que geram mais de 75% da eletricidade em França-- mas não supõe que sejam desligados os 58 reatores, antes que sigam a funcionar com uma redução da carga produzida.

O acesso a muitos depósitos petrolíferos continuava hoje ao fim da manhã fechado por piquetes de greve, mesmo depois de as autoridades terem sido chamadas a desbloquear 11 situações nos últimos dias. Aliás, seis das oito refinarias do país encontram-se total ou parcialmente fechadas, segundo a União Francesa de Indústrias Petrolíferas.

Como consequência, segundo o primeiro-ministro, Manuel Valls, entre 20 a 30% das gasolineiras tinham visto esgotar todos os seus combustíveis.

Os piquetes de greve também encerraram ou bloquearam parcialmente o acesso a centros industriais, como a zona portuária de Brest, uma área de fabrico de submarinos nucleares.

Ações semelhantes ocorreram em infraestruturas estratégicas como nas pontes de Normandia e de Tancarville sobre o rio Sena, no aeroporto de Nantes, na linha férrea entre Paris e Brest ou na autoestrada entre Bordéus e Baiona.

Também os controladores aéreos franceses estão em greve, tendo levado ao cancelamento de vários voos.

Esta é a oitava jornada de mobilização convocada pelos sindicatos desde março com o objetivo de exigir a retirada do projeto de lei da reforma laboral, que os sindicalistas acusam de destruir os direitos dos trabalhadores.

A três semanas da abertura do Euro 2016 de futebol, o primeiro-ministro adiantou hoje que o projeto de lei para a reforma laboral será aprovado este verão, insistindo no argumento de que a lei "é boa para as empresas (...), boa para os trabalhadores (...) e boa para os sindicatos".

Sublinhou que está fora de questão "mudar de direção", mas admitiu que possam ocorrer algumas modificações".

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