Ministro grego da Ordem Pública demite-se após incêndios de julho

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, aceitou o pedido de demissão de Nikos Toskas na sequência dos fogos de julho que provocaram 88 mortos

O ministro grego responsável pela Ordem Pública, Nikos Toskas, demitiu-se hoje na sequência dos devastadores incêndios de 23 de julho a leste de Atenas que provocaram 88 mortos, anunciou o gabinete do primeiro-ministro.

"O primeiro-ministro aceitou a demissão de Toskas", referiu em comunicado o gabinete de Alexis Tsipras, numa referência ao responsável governamental que até agora ocupava o cargo de ministro-adjunto da Proteção dos Cidadãos, e era designadamente responsável pela ordem pública.

Na semana passada, Toskas indicou ter proposto a sua demissão a Tsipras, que recusou o pedido. O breve comunicado de hoje precisa que o primeiro-ministro aceitou a demissão no decurso de uma "breve reunião" com Toskas, e na qual lhe "agradeceu pela cooperação em todos estes anos".

Os poderes da proteção civil foram transferidos para o ministro do Interior, Panos Skourletis.

Tsipras estava sob pressão desde a semana passada, em particular pelos setores da oposição, por apenas ter reconhecido a "responsabilidade política" do dramático incêndio que se propagou muito rapidamente de uma colina em direção à localidade de Mati e arredores, numa região de ravinas e junto ao mar.

O primeiro-ministro foi particularmente censurado por não ter decidido qualquer medida sancionadora.

Em paralelo, Tsipras reuniu-se esta sexta-feira com o ministro da Energia e do Ambiente, George Stathakis, que o informou sobre a decisão de demolir estruturas ilegais que afetam a segurança pública, com 61 demolições já aprovadas na região da Ática, onde se inclui a capital Atenas e as zonas atingidas pelos fogos de julho.

O gabinete de Tsipras precisou que as demolições vão decorrer em coordenação com as administrações locais, e ainda através de nova legislação.

As notificações já estão foram preparadas e iniciadas as demolições de 27 edifícios ilegais em Mandra construídos sobre cursos de água, 21 paredes e barreiras que bloqueavam o acesso a praias, e 13 habitações erguidas em zonas de reflorestação.

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