Grécia: Bruxelas recusa responsabilidades nos cortes da Protecção Civil

Imprensa italiana aponta redução de 34 milhões de euros "entre pessoal e viaturas"

A Comissão Europeia negou esta quarta-feira que as medidas de austeridade impostas na Grécia tenham atingido a área da prevenção e socorro em incêndios florestais, depois da imprensa italiana relatar que "só na primavera", os cortes atingiram os 34 milhões de euros "entre pessoal e viaturas".

Questionado sobre se os cortes que atingiram a Administração Pública grega durante os sucessivos programas de ajustamento económico e financeiro também chegaram à Protecção Civil, um porta-voz da Comissão assegurou que, tanto o orçamento como o número de bombeiros, se mantiveram estáveis.

O porta-voz da Comissão Europeia para os Assuntos Económicos e Financeiros, Christian Spahr, descartou, por isso, qualquer responsabilidade das instituições comunitárias em relação a uma eventual quebra da capacidade de resposta da Protecção Civil, num dos países sob programas da troika.

"Enquanto as instituições negociaram o conjunto dos objetivos orçamentais com as autoridades gregas, no contexto do programa de estabilidade, a adjudicação dos recursos orçamentais, incluindo para os serviços de emergência, continua a ser uma responsabilidade das autoridades gregas", disse o porta-voz. Ou seja: a haver culpa, ela será 100% do governo de Alexis Tsipras.

"O orçamento do Ministério da Administração Interna, [responsável] pela Protecção Civil, permanece, na realidade, relativamente estável desde 2010. O orçamento alocado aos bombeiros, até aumentou ligeiramente, entre 2010 e 2018", garantiu enquanto lia um texto, no qual afirma que também que o "número de bombeiros permaneceu estável desde 2011 até 2018. Os bombeiros estão, na verdade, excluídos das regras de restruturação, que está em prática, para o resto da Administração Pública".

"Frutos" da austeridade?

A imprensa Italiana dá esta quarta-feira conta de que, só em 2017, os cortes na vigilância florestal e na prevenção na Grécia ascenderam aos 34 milhões de euros. Mas Bruxelas descartou-se dessa responsabilidade.

O jornal Corriere della Sera escreve que "apenas na última primavera, a área da proteção contra incêndios perdeu 34 milhões de euros entre pessoal e viaturas".

O texto em que se apontam "cortes na Protecção Civil no pacote de Austeridade", o jornal garante que há agora "menos e menos bombeiros e em condições físicas precárias"

Fim dos resgates

Muito recentemente, em Bruxelas enalteceu-se a "coragem", dos gregos, do governo de Atenas, num rol de elogios, a quem nem a troika escapou, por ter desenhado um programa que "dá frutos".

A expressão repetida sucessivas vezes pelo comissário dos Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici viria a ser glosada pelo primeiro-ministro grego no dia em que o Eurogrupo, já liderado pelo português Mário Centeno, se preparava para dar luz verde à conclusão do programa.

"Estamos perto do momento de colher os frutos de anos de sacrifícios e esforços difíceis", disse na altura o primeiro-ministro Alexis Tsipras. Os gregos estão há oito anos de cinto apertado, a troco de três resgates de mais de 260 mil milhões de euros, que empurram a dívida até quase 180% do PIB da Grécia. O programa grego fica concluído a 20 de agosto.

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Nuno Artur Silva

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