Berlim ganhou 2.900 milhões de euros com a crise grega

Os lucros foram obtido indiretamente pela compra de títulos de dívida grega ao Banco Central Europeu

Berlim ganhou indiretamente cerca de 2.900 milhões de euros com a crise grega, segundo as conclusões tiradas da resposta do Governo alemão a uma pergunta formulada pelo grupo parlamentar alemão Os Verdes.

Os ganhos são, em parte, um resultado do programa de compra de títulos de dívida grega do Banco Central Europeu (BCE). O restante valor resulta dos ganhos do Bundesbank, banco central da Alemanha, cujos lucros são depois transferidos para os Orçamentos do Estado alemães.

Até 2017, o Bundesbank obteve ganhos com juros no valor de 3.400 milhões de euros, dos quais foram transferidos 527 milhões para o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) e 387 milhões de euros para a Grécia, fazendo com que se obtivesse um lucro de 2.500 milhões de euros.

A estes 2.500 milhões de euros juntam-se 400 milhões de euros ganhos com juros de um crédito do Banco para a Reconstrução (KfW), banco público alemão.

"Contrariamente às informações que circulam, a Alemanha obteve um considerável benefício com a crise grega. Não é aceitável que o Governo consolide os orçamentos alemães com os benefícios da crise grega ", disse Sven-Christian Kindler, porta-voz do grupo parlamentar de Os Verdes.

O partido alemão Os Verdes é partidário de um perdão da dívida grega.

Ler mais

Premium

Ricardo Paes Mamede

A "taxa Robles" e a desqualificação do debate político

A proposta de criação de uma taxa sobre especulação imobiliária, anunciada pelo Bloco de Esquerda (BE) a 9 de setembro, animou os jornais, televisões e redes sociais durante vários dias. Agora que as atenções já se viraram para outras polémicas, vale a pena revistar o debate público sobre a "taxa Robles" e constatar o que ela nos diz sobre a desqualificação da disputa partidária em Portugal nos dias que correm.

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.