"Grândola, Vila Morena" na primeira das "Dijsselbloem Nights"

A deputada Marisa Matias foi a DJ de serviço nesta festa contra o preconceito

Em Bruxelas, houve espetáculo de música contra "preconceitos" em relação aos países do sul. O ponto de partida foram as polémicas declarações do presidente do Eurogrupo sobre "copos e mulheres".

O grupo político que reúne vários partidos da esquerda no Parlamento Europeu juntou-se na Associação Garcia Lorca, em Bruxelas, com um espetáculo em que a eurodeputada do Bloco de Esquerda, Marisa Matias foi "DJ M&M".

O espetáculo arrancou sem hesitações, com o som da mensagem lida no posto de comando das Forças Armadas, na madrugada de 25 de Abril de 1974. Marisa Matias misturou com "a Grândola" e depois fez soar a voz de Ana Bacalhau, dos Deolinda: "Agora sim, damos a volta a isto".

"O propósito da iniciativa é desconstruir estereótipos que foram criados, e que estão muito enraizados no quadro da União Europeia", esclareceu a eurodeputada do Bloco, lamentando que tenha sido o próprio presidente do Eurogrupo quem alimentou uma ideia que considera errada na Europa.

Cartaz de Marisa Matias DJ

"Depois da crise financeira criou-se muito a ideia de que a norte vivem os virtuosos e a sul os preguiçosos. E, muita gente pensa como o senhor Dijsselbloem, só não tem é coragem de dizê-lo em voz alta", lamentou a eurodeputada na noite em que foi DJ pela primeira vez, para combater o "preconceito", com "muita música dos tempos da democracia".

"José Mário Branco, Sérgio Godinho, Jorge Palma, mas também com música nova, [como] Capicua, Blind Zero, numa mistura muito grande", foram alguns dos músicos da playlist da "DJ M&M", Marisa Matias.

A primeira Noite Dijsselbloem foi dedicada a Portugal e à Grécia. Seguem-se Itália e Espanha, Chipre e Malta. O eurodeputado do Siryza, Stelios Kouloglou disse ao DN que o próprio Jeroen Dijsselbloem foi convidado para estar presente, porém "ele disse que não poderia vir, mas partilha do nosso objetivo de combater os estereótipos".

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