Governo de Tsipras sobrevive a moção de censura

Oposição não consegue derrubar executivo devido à questão da Macedónia

A moção de censura ao governo grego, levado a cabo pelo principal partido da oposição, a Nova Democracia, foi rejeitada, mas a coligação SYRIZA-ANEL perdeu um deputado, que votou a favor da destituição do executivo. A votação realizou-se já na noite de sábado, ao fim de dois dias de acalorado debate.

A moção recebeu 127 votos a favor e 153 contra.

A Nova Democracia não aceitou o acordo que o líder do governo grego, Alexis Tsipras, e o homólogo macedónio, Zoran Zaev, anunciaram na terça-feira sobre o nome definitivo da Antiga República Jugoslava da Macedónia.

Enquanto os deputados debatiam, a polícia dispersou com gás lacrimogéneo manifestantes que tentaram invadir o parlamento.

Uma sondagem publicada pelo jornal Proto Thema revela que 68,3% dos gregos estão contra o acordo, que prevê a adoção do nome República da Macedónia do Norte.

O acordo, caso seja aprovado pelo parlamento macedónio e posteriormente em referendo, põe fim a um diferendo iniciado em 1991, quando a República da Macedónia declarou a independência. A Grécia não aceita a utilização do nome da sua província do norte, região central do antigo reino da Macedónia, e berço de parte significativa da cultura e história helénica.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.