Giuliani não quer que Trump deponha porque "a verdade não é a verdade"

Advogado de Trump diz não ter pressa em levar o presidente norte-americano a depor, devido ao risco de perjúrio

Kellyanne Conway, conselheira de Donald Trump, já tinha dito ao programa Meet the Press, da NBC, que à Casa Branca é permitido apresentar "factos alternativos". Agora foi a vez de Rudy Giuliani, advogado do presidente norte-americano, defender no mesmo espaço televisivo que "a verdade não é a verdade".

Na emissão que foi para o ar no último domingo, Giuliani é questionado sobre um futuro testemunho de Trump no inquérito sobre a alegada interferência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016.

O advogado - ex-presidente da câmara de Nova Iorque - diz que não vai apressar-se a pôr Trump a testemunhar, para que possa ser apanhado em perjúrio - "Quando me dizem que ele devia testemunhar porque contará a verdade e, portanto, não se devia preocupar... Isso é tão tolo. É a versão de alguém da verdade. Não a verdade".

Ao que o entrevistador, Chuck Todd, leva as mãos à cabeça e contrapõe: "A verdade é a verdade". E Giuliani responde - "A verdade não é a verdade". E novamente o jornalista: "isto vai dar um mau meme".

Explicações de Giuliani: Donald Trump diz uma coisa em relação à conversa que teve com James Comey, então responsável do FBI, em fevereiro de 2017; Comey alega outra, totalmente oposta. "Qual é a verdade?", questiona, defendendo que há um "gap de credibilidade entre os dois. Tem de se escolher entre os dois". Esta tem sido uma linha de defesa do presidente norte-americano, no caso que está a ser investigado pelo procurador especial Robert Mueller - perante duas versões inconciliáveis dos factos, deve decidir-se em função da confiança em cada um dos intervenientes.

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Anselmo Borges

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