Gina Haspel: primeira mulher à frente da CIA liderou uma prisão secreta na Tailândia

Veterana da agência, Haspel, de 61 anos, é muito respeitada pelos colegas. Vai substituir Mike Pompeo, nomeado por Donald Trump para substituir Rex Tillerson

Em 2002, Gina Haspel era a responsável pela prisão secreta da CIA na Tailândia conhecida pelo nome de código Cat's Eye. Ali encontravam-se vários suspeitos de terrorismo, detidos pelos EUA depois dos atentados de 11 de Setembro de 2001, entre os quais Abd al-Rahim al-Nashri e Abu Zubaydah. Relatórios do Senado mais tarde divulgados revelam que ambos foram sujeitos a afogamento simulado (waterboarding) e a outras técnicas de interrogatório hoje proibidas e consideradas tortura. Tudo isto sob a supervisão de Haspel, hoje nomeada para substituir Mike Pompeo à frente da CIA, tornando-se a primeira mulher a dirigir a agência secreta americana.

Segundo um perfil publicado pelo New York Times, Haspel, de 61 anos, terá mais tarde dado ordens para apagar os vídeos de torturas praticadas na Tailândia.

O desaparecimento das gravações, em 2013, impediu a promoção de Gina Haspel a diretora das operações clandestinas dos serviços de informações norte-americanos, um cargo que tinha de ser confirmado pelo Senado dos Estados Unidos, e desencadeou uma longa investigação, que terminou sem acusações.

Em fevereiro de 2017, Haspel, que entrou para a agência em 1985, foi nomeada vice-diretora da CIA, dando um sinal de que com a Administração Trump o seu passado ligado ao programa de extraordinary renditions, a captura de suspeitos de terrorismo (os chamados combatentes inimigos) em vários locais do mundo sem passar pelos tribunais, não travou a sua carreira.

Em declaçaões ao The Washington Post, Haspel agradeceu a oportunidade para liderar a CIA. "Após 30 anos como agente da CIA, foi uma honra servir como vice-diretora com Mike Pompeo no último ano.

Com Lusa

Notícia atualizada às 16.30. Substituída a fotografia utilizada, que não era de Gina Haspel

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