"Ganhámos e reclamamos o direito a governar", afirma Rajoy

Contra todas as previsões, os socialistas de Pedro Sánchez conseguiram agarrar-se ao segundo lugar, à frente de Iglesias

As duas grandes notícias da noite eleitoral de ontem em Espanha são a vitória - e o crescimento eleitoral - do Partido Popular de Mariano Rajoy (aumentou 14 deputados em comparação com as eleições de dezembro) e o falhanço das projeções dos resultados após o fecho das urnas. Tudo indicava - e assim avançaram as televisões - que se tinha confirmado a ultrapassagem do Unidos Podemos ao PSOE, mas os socialistas chegaram ao fim da contagem em segundo lugar.

O PP venceu as legislativas com 33% (137 deputados), seguido do partido de Pedro Sánchez com 22,7% (85 deputados). Em terceiro surge a coligação Unidos Podemos (aliança ente o Podemos de Pablo Iglesias e a Esquerda Unida de Alberto Garzón) com 21,1% (71 deputados) e, em último lugar entre os quatro principais partidos, acabou o Ciudadanos, de Alberto Rivera, que se ficou pelos 13%, caindo de 40 para 32 representantes no Parlamento espanhol.

Apesar de ter ficado à frente do Unidos Podemos, Pedro Sánchez não tem razões para festejar. Se em dezembro tinha alcançado o pior resultado de sempre para os socialistas, desta vez conseguiu eleger ainda menos cinco deputados.

Feitas as contas, o grande vencedor da noite é Mariano Rajoy, que amplia a vantagem, subindo mais de quatro pontos percentuais e garantindo mais 14 lugares para o seu grupo parlamentar.

"Ganhámos e reclamamos o direito a governar", afirmou o primeiro-ministro na reação aos resultados. Rajoy, depois de um longo elogio ao PP, sublinhou que a partir de hoje está disponível para "falar com todos [os partidos], com o único objetivo de defender os interesses de Espanha e dos espanhóis".

E agora, que cenários podem ser antecipados? Mais uma vez não existe uma coligação óbvia que permita formar um governo com maioria absoluta. A única aliança entre apenas dois partidos capaz de ultrapassar a barreira dos 176 deputados seria um bloco central entre Partido Popular e PSOE. É pouco provável que isso aconteça. Ainda assim, é possível que os socialistas, para acabar com o impasse político em Espanha, estejam dispostos a viabilizar um governo do PP ou até um executivo que resulte de um acordo entre Rajoy e Rivera - juntos somam 169 deputados, ficando a apenas sete da maioria.

As declarações de Pedro Sánchez ontem à noite, na ressaca da contagem, de certa forma abrem a porta nesse sentido: "Os espanhóis derrotaram o cansaço e as previsões e abriram o caminho para a normalização da vida institucional." O líder dos socialistas - congratulando-se pelo facto de o PSOE ter voltado a reclamar a condição de "partido hegemónico da esquerda", mas sublinhando não estar satisfeito com o desfecho da contagem dos votos - aproveitou ainda para atacar o seu adversário do Podemos. "Espero que o senhor Iglesias reflita sobre estes resultados. Teve oportunidade de acabar com o governo do PP, mas pôs em primeiro lugar os seus interesses pessoais e deu a vitória à direita nestas eleições", afirmou Sánchez.

Parece estar assim definitivamente excluída a hipótese de um governo de esquerda que resultasse de um casamento pós-eleitoral entre Iglesias e Sánchez. Não só pelo afastamento que existe entre os dois líderes, mas também porque uma união entre as duas forças políticas ficar-se-ia apenas pelos 156 mandatos.

"Os resultados não são satisfatórios. É um momento para refletir", lamentou Pablo Iglesias, desiludido com o terceiro lugar.

Albert Rivera, depois de criticar o esquema de atribuição de deputados definido pela lei eleitoral espanhola, garantiu que a partir de hoje está disponível para dialogar com o PP e com o PSOE para encontrar uma solução de governo.

O líder do Ciudadanos impôs apenas uma condição, a mesma que repetira vezes sem conta durante a campanha: "Que não se coloque a luta por lugares à frente do interesse das pessoas."

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