Furacão Lane continua de categoria 4 e vai chegar ao Havai esta noite

As autoridades consideraram possível que ocorram mais de 30 centímetros de chuva/por metro quadrado em algumas áreas, o que pode significar cheias, ondas perigosas de seis metros e uma tempestade acima dos níveis normais

Funcionários federais disseram hoje que o Furacão Lane continua a ser uma poderosa tempestade de categoria 4 que terá um grande impacto nas ilhas havaianas na noite de quinta-feira.

Steve Goldstein, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, disse em conferência de imprensa que o furacão Lane continua com ventos que atingem os 209 quilómetros/hora.

À hora da conferência de imprensa o Lane encontrava-se a cerca de 480 quilómetros a sul de Honolulu e esperava-se que atingisse a Ilha Grande ao anoitecer desta quinta-feira antes de seguir para as ilhas de Maui e Oahu.

Goldstein disse que não é necessário que o furacão passe por cima das ilhas para ter um impacto significativo, dada a sua violência.

As autoridades consideraram possível que ocorram mais de 30 centímetros de chuva/por metro quadrado em algumas áreas, o que pode significar cheias, ondas perigosas de seis metros e uma tempestade acima dos níveis normais.

As autoridades federais disseram que estavam preparadas para ajudar as pessoas nas ilhas.

Brad Kieserman, da Cruz Vermelha informou que existem 16 abrigos de emergência abertos e que já estavam 283 pessoas na Big Island nos abrigos.

Pelas 18:15 em Lisboa (05:15 no Havai) as chuvas torrenciais do Furacão Lane já se faziam sentir na Ilha Grande do Havai quando a tempestade se aproximava da ilha.

O meteorologista do Serviço Nacional de Meteorologia, Gavin Shigesato, disse que os pluviómetros próximos de Hilo (cidade da Ilha Grande) registaram 30,5 centímetros/por metro quadrado de chuva em 12 horas. Certas regiões da ilha de Maui já sentiam as fortes chuvas que se estenderam a 566 quilómetros do centro do furacão.

Só mais para a noite se esperava que o furacão Lane, que continua a mover-se para noroeste, atingisse a Ilha Grande com ventos nas condições de furacão de nível quatro.

Shigesato disse que a velocidade do furacão diminuiu na quarta-feira de 15 quilómetros/hora para 11 quilómetros/hora.

Para o especialista, um furacão mais estacionário aumenta a ameaça de inundações repentinas e deslizamentos de terra por causa do aumento prolongado das chuvas fortes.

Às 03:00, (14:00 em Lisboa), o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump emitiu uma declaração de desastre para o Havai, enquanto os moradores se preparavam para lidar com o furacão Lane.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.