Um quarto das casas de Florida Keys destruídas

As Keys, onde residem cerca de 70 mil pessoas, parecem ter sido o território norte-americano mais fortemente atingido pelo Irma

A agência federal de gestão de emergências dos Estados Unidos (FEMA) estima que um quarto (25%) das casas de Florida Keys (sudeste) tenha sido destruída pelo furacão Irma e definiu como prioridade procurar vítimas.

Segundo um porta-voz da agência, Brock Long, 25% das casas do arquipélago estão destruídas e 65% sofreram estragos importantes.

"Basicamente, todas as casas das Keys foram afetadas", disse.

Equipas de reconstrução trabalhavam esta quarta-feira para restaurar a autoestrada que liga as ilhas do arquipélago e os residentes de algumas das ilhas mais próximas da costa da Florida começaram a regressar e a ver os estragos causados pelo furacão.

Mas a persistência de perturbações nas comunicações telefónicas continua a não permitir avaliar a extensão total dos estragos, mais de dois dias depois de o Irma ter fustigado as Keys com ventos de 130 Km/h.

As Keys, onde residem cerca de 70 mil pessoas, parecem ter sido o território norte-americano mais fortemente atingido pelo Irma. O fornecimento de eletricidade e de água potável foram cortados, os três hospitais do arquipélago encerrados e o abastecimento de gasolina extremamente limitado.

Enquanto as equipas de socorro tentam chegar às partes mais remotas, as autoridades admitem não saber quantas pessoas ignoraram as ordens de evacuação e ficaram em casa.

Na Florida continental, o quotidiano regressa lentamente ao normal. Aviões voltaram a descolar, o recolher obrigatório foi levantado em muitos locais, os parques temáticos reabriram portas e os cruzeiros que alteraram as rotas para evitar o furacão começam a atracar no porto de Miami.

O número de pessoas sem eletricidade é estimado em 9,5 milhões, pouco menos de metade da população do estado. As autoridades estimam que pode levar até 10 dias para que o fornecimento seja completamente restabelecido.

Cerca de 110 mil pessoas continuam em abrigos temporários na Florida.

O número de vítimas mortais na Florida subiu para 13. Segundo a contagem da agência Associated Press, o Irma fez ainda 37 mortos nas Caraíbas, 4 na Carolina do Sul e 2 na Geórgia, o que, com as vítimas mortais da Florida, perfaz um total provisório de 56 mortos.

O Irma, já consideravelmente enfraquecido para depressão tropical, prossegue a sua trajetória pelo Alabama e Mississippi.

Ler mais

Premium

Ricardo Paes Mamede

O FMI, a Comissão Europeia e a direita portuguesa

Os relatórios das instituições internacionais sobre a economia e a política económica em Portugal são desde há vários anos uma presença permanente do debate público nacional. Uma ou duas vezes por ano, o FMI, a Comissão Europeia (CE), a OCDE e o Banco Central Europeu (BCE) - para referir apenas os mais relevantes - pronunciam-se sobre a situação económica do país, sobre as medidas de política que têm vindo a ser adotadas pelas autoridades nacionais, sobre os problemas que persistem e sobre os riscos que se colocam no futuro próximo. As análises que apresentam e as recomendações que emitem ocupam sempre um lugar destacado na comunicação social no momento em que são publicadas e chegam a marcar o debate político durante meses.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.