Fujimori pede "perdão" pelos atos cometidos e agradece indulto

O ex-presidente peruano pediu "perdão" pelos atos cometidos pelo seu governo (1990-2000) após o polémico indulto concedido pelo chefe de Estado peruano, Pedro Pablo Kuczynski

"Estou consciente que os resultados durante o meu governo foram bem recebidos por uma parte, mas reconheço que também defraudei outros compatriotas. Peço-lhes perdão, de todo o meu coração", disse o ex-presidente numa intervenção gravada emitida a partir da clínica onde permanece internado desde sexta-feira.

Na mensagem difundida na sua conta oficial da rede social Facebook, Fujimori assegurou que a notícia do indulto humanitário o "surpreendeu" na unidade de cuidados intensivos da clínica.

Produziu-me um forte impacto onde se misturam sentimentos de extrema alegria e de pesar

O ex-presidente do Peru exprimiu ainda "gratidão pela decisão complexa" de Kuczynski, ao aprovar o seu indulto e o perdão de todos os processos em curso.

Esta decisão "compromete-me, nesta nova etapa, para apoiar decididamente o seu apelo à reconciliação", assegurou.

Na noite de Natal, centenas de peruanos saíram às ruas de Lima para protestar contra o indulto concedido a Fujimori, que cumpria uma condenação de 25 anos de prisão por violações dos direitos humanos.

Os manifestantes, entre os quais familiares das vítimas das mortes por que Fujimori foi condenado, concentraram-se na praça central de San Martín para denunciar o indulto como um ato de impunidade.

Os familiares dos assassinados e desaparecidos anunciaram que irão recorrer a instâncias internacionais para anular o indulto e exigir que Fujimori, de 79 anos, cumpra a totalidade da pena a que foi condenado.

Na manifestação eram visíveis cartazes que qualificavam o indulto como um "insulto" e o Presidente, Pedro Pablo Kuczynski, que concedeu o perdão, como um "traidor" e "cúmplice do criminoso".

Consideraram ilegal a amnistia concedida por Kuczynski, que afirmaram resultar de um pacto político para permitir que o governante possa continuar no poder.

Os manifestantes contestaram a presença de um grande contingente policial no local do protesto e houve mesmo algumas escaramuças.

O Presidente assinou o indulto apenas três dias após evitar a sua destituição pelo Congresso, pelos seus vínculos com a construtora brasileira Odebrecht, e devido à abstenção de um grupo de dez deputados 'fujimoristas' liderados por Kenji Fujimori, o filho mais novo de Alberto Fujimori, e que anteriormente tinha pedido abertamente a Kuczynski para conceder o indulto a seu pai.

A Força Popular, liderada pela filha mais velha do ex-presidente, Keiko Fujimori, tinha anunciado previamente que iria votar a favor da destituição de Kuczynski.

Em menor quantidade, um grupo de simpatizantes de Fujimori concentrou-se frente à clínica onde o ex-presidente está hospitalizado para celebrar a sua libertação.

Os fujimoristas gritaram o nome do ex-presidente e manifestaram apoio aos seus filhos quando entraram na clínica para visitar Fujimori.

Fujimori, Presidente do Peru entre 1990 e 2000, foi condenado em 2009 a 25 anos de prisão após ser responsabilizado pelas mortes de 25 pessoas em 1991 e 1992 perpetradas pelo grupo militar encoberto Colina, e pelo sequestro agravado de um jornalista e um empresário em 1992.

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