Frota russa já não para em Ceuta, depois de críticas da NATO

A paragem em Ceuta estava a causar mal-estar juntos dos aliados de Espanha na NATO. Rússia retirou pedido depois de perguntas espanholas

A frota russa a caminho da Síria não parou em Ceuta para se abastecer, ao contrário do que estava previsto. Uma decisão comunicada esta quarta-feira pela embaixada russa de Madrid, que decidiu cancelar a escala depois de o ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol ter pedido esclarecimentos sobre a possibilidade de os três navios irem "apoiar ações militares na cidade síria de Aleppo", avança o jornal espanhol El País.

A autorização espanhola tinha sido dada em setembro, mas ontem à noite um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros anunciou que a decisão de permitir o abastecimento da frota encabeçada pelo porta-aviões Almirante Kuznetsov em Ceuta estava a ser revista, em função da informação que estavam a receber dos seus "aliados e das próprias autoridades russas". E os sinais que vinha dos aliados espanhóis terão sido decisivos.

As perguntas de Espanha surgiram depois o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, ter reiterado a sua preocupação com a possibilidade de os navios russo estarem a caminho para apoiar no assalto final das tropas governamentais de Bashar al-Assad a Aleppo. Stoltenberg realçou que cabe a cada país decidir se permite que a frota russa se abasteça nos seus portos, mas que temia que "estes barcos servissem para aumentar a catástrofe na Síria".

O ministro da Defesa britânico foi mais longe e disse que o Reino Unido ficaria "extremamente preocupado se algum país da NATO considerasse prestar assistência à frota russa que pode acabar a bombardear civis na Síria". Os membros da NATO devem "manter-se unidos", disse Michael Fallon.

O assunto resolveu-se com a própria Rússia a retirar o pedido que tinha feito para a paragem e reabastecimento.

A frota russa zarpou de Severomorsk, no Ártico, a 15 de outubro, e tem tido companhia: a fragata da marinha holandesa HNLMS Evertsen escoltou o grupo de navios à passagem pelo Mar do Norte, com o apoio da fragata belga Leopold I. Durante os exercícios de três dias no Mar do Norte, houve vigilância por parte da fragata norueguesa HNoMS Fridtjof Nansen, e à passagem pelo Canal da Mancha, os navios foram escoltados pelo contratorpedeiro HMS Duncan e pela fragata HMS Richmond.