Fragata portuguesa vigia passagem de frota russa a caminho da Síria

Porta-aviões Kuznetsov, oito navios de guerra e um submarino russos deverão passar ao largo de Portugal entre hoje e segunda-feira

A frota de navios de guerra russos encabeçada pelo porta-aviões Almirante Kuznetsov , que ontem cruzou o Canal da Mancha e segue com destino à Síria, deverá passar entre hoje e segunda-feira ao largo da costa portuguesa. "As Forças Armadas Portuguesas farão o acompanhamento desta força com meios aéreos e navais, mais concretamente com uma fragata e um avião P-3", indicou ao DN o Ministério da Defesa Nacional.

A força naval da Federação Russa é composta pelo porta-aviões Almirante Kuznetsov (que consegue transportar mais de 50 aviões), oito navios de guerra e um submarino, segundo a mesma fonte. Aos oito navios que ontem cruzaram o Canal da Mancha, e que tinham deixado o porto de Sevomorsk no Mar de Barents às 13.00 de Lisboa no dia 15 de outubro, juntam-se também duas fragatas que "passaram na ZEE [Zona Económica Exclusiva] Portuguesa durante os dias 18 e 19 de outubro [terça e quarta-feira], no sentido Sul-Norte, tendo sido acompanhadas por uma corveta e uma aeronave da Força Aérea", segundo Ministério da Defesa.

O porta-aviões Almirante Kuznetsov, ontem à passagem pelo Canal da Mancha

Nada indica que os navios russos entrem em águas territoriais portuguesas (12 milhas náuticas), podendo contudo fazê-lo ao abrigo do "direito de passagem inofensiva", previsto na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Essa passagem deve ser "contínua e rápida", só podendo haver paragens e o fundeamento por motivos de força maior ou o auxílio a pessoas e outras embarcações em perigo. Contudo, ao largo de Portugal, não há necessidade de passarem tão perto, como acontece no caso do Canal da Mancha (apenas 20 milhas entre Inglaterra e França no estreito de Dover).

"A Rússia tem o direito de operar em águas internacionais", disse o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, mas o que preocupa a Aliança Atlântica "é que esta escolta naval russa possa ser utilizada para participar nas operações sobre a Síria". Segundo Stoltenberg, navios da NATO vigiam a frota na aproximação ao seu destino. "Vão fazê-lo de forma responsável e proporcionada", sublinhou.

Assim, a fragata da marinha holandesa, HNLMS Evertsen, escoltou o grupo de navios à passagem pelo Mar do Norte. Mais tarde, a fragata belga Leopold I juntou-se à missão. Durante os exercícios de três dias no Mar do Norte (a 170 milhas náuticas da Noruega), houve vigilância por parte da fragata norueguesa HNoMS Fridtjof Nansen, segundo a agência de notícias Ria Novosti, citada pelo site do Russia Today.

Ontem, à passagem pelo Canal da Mancha, os navios foram escoltados pelo contratorpedeiro HMS Duncan e pela fragata HMS Richmond, que tinham partido de Portsmouth na terça-feira. Já o contratorpedeiro HMS Dragon foi enviado para acompanhar as duas fragatas que vinham do sul, e que tinham passado ao largo de Portugal. O ministro da Defesa britânico, Michael Fallon, tinha prometido que a frota russa seria seguida "a cada centímetro do caminho".

A caminho de Aleppo

O destino dos navios será a Síria, onde os russos têm uma base naval em Tartus. Na região estarão já outros dez navios, a partir dos quais têm sido disparados mísseis cruzeiro. Moscovo é um aliado do presidente Bachar al-Assad, participando na ofensiva área lançada em setembro contra os bairros rebeldes da zona leste de Aleppo. Hoje termina a "pausa humanitária" nos combates que começou ontem para permitir a saída dos civis, com os ataques aéreos suspensos até terça-feira.

"Eles estão a destacar toda a frota do Norte e a maioria da frota do Báltico no maior destacamento desde o fim da Guerra Fria", disse à Reuters, sob anonimato, um diplomata da NATO. "Esta não é uma visita amigável. Em duas semanas, vamos ver um aumento dos ataques aéreos em Aleppo, como parte da estratégia russa de declarar ali a vitória", indicou. A questão será abordada na reunião dos ministros da Defesa da NATO, nos dia 26 e 27 de outubro, em Bruxelas.

A União Europeia tem criticado a posição russa na Síria, acusando Moscovo de matar civis. No Conselho Europeu, que ontem terminou, os líderes dos 28 "condenaram fortemente os ataques pelo regime sírio e os seus aliados, nomeadamente a Rússia, contra civis em Aleppo", disse o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

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