EUA: Florence perde intensidade mas ainda há ameaça de inundações

Furacão passou a tempestade tropical. Foi declarado o estado de desastre na Carolina do Norte, por causa dos estragos. Veja os números da tempestade

O furacão Florence, que atinge a costa sudeste dos Estados Unidos, perdeu intensidade para tempestade tropical, mas foi declarado o estado de desastre na Carolina do Norte, por causa dos estragos e pela ameaça de mais inundações.

Segundo o Centro Nacional de Furacões, a tempestade move-se lentamente para o estado vizinho da Carolina do Sul, deixando um rasto de chuvas fortes, inundações, ameaça de tornados e um apagão de eletricidade que já afetou cerca de um milhão de habitações.

De acordo com a Casa Branca, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou o estado de desastre na Carolina do Norte, onde já morreram cinco pessoas, e que disponibilizará ajuda financeira para os condados de Beaufort, Brunswick, Carteret, Craven, New Hanover, Onslow, Pamlico e Pender.

Com a subida da maré, as previsões são de inundações graves, com o governador do estado da Carolina do Norte, Roy Cooper, a alertar hoje que "zonas onde nunca se registaram inundações podem ter essa experiência agora". "Apesar da tempestade ter perdido força, as chuvas continuarão a ser épicas", disse, citado pelo jornal britânico The Guardian.

Na sexta-feira, Donald Trump anunciou que pretende visitar, na próxima semana, as zonas afetadas pelo Florence.

Os números da tempestade

Segundo a CNN, há seis mortos relacionados com a tempestade, mas o Roy Cooper admitiu que " várias outras [mortes] estão sob investigação". A primeira morte registada na Carolina do Sul foi de uma mulher de 61 anos, na noite de sexta-feira, quando o seu carro embateu numa árvore que caiu durante a tempestade. Na Carolina do Norte, há cinco vítimas mortais.

O governador do Estado notou que "a maioria das mortes provocadas por tempestades ocorre por afogamentos, muitas vezes em automóveis", o que levou Cooper a deixar um aviso para não conduzirem em zonas inundadas ou com águas em movimento.

Mais de 20 mil pessoas estão em 157 abrigos de emergência na Carolina do Norte, revelou o governador, que antecipou que "se esses abrigos se encherem", vão "estabelecer mais abrigos".

A CNN avança ainda que mais de 964 mil clientes das empresas elétricas estão sem energia nas suas casas nas duas Carolinas. O número de pessoas sem eletricidade será bem maior, nota a cadeia americana, uma vez que um único cliente pode representar um agregado familiar de várias pessoas. Cerca de 809 mil clientes são da Carolina do Norte e uns 155 mil na Carolina do Sul.

O vento chegou a atingir os 180,2 km/hora (112 milhas) na enseada de New River, na Carolina do Norte. No aeroporto internacional de Wilmington e em Fort Macon foram registados ventos na ordem dos 169 km/h.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.

Premium

Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

Premium

Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.