Fisco italiano apanha cartomante que escondeu quatro milhões de euros

Negócio de adivinhação e aconselhamento sentimental funcionava, na fachada, através de linha de valor acrescentado. Mas aos melhores clientes eram pedidos pagamentos em numerários que, em alguns casos, chegaram aos 300 mil euros

Investia em anúncios na imprensa nacional e comprava espaço publicitário nas televisões. Tinha montada "uma verdadeira organização", que incluía um call center com dez operadores. Prometia resolver todo o tipo de problemas sentimentais, lia tarô e, claro, adivinhava o futuro. Só não conseguiu adivinhar a Operação da Polícia Tributária italiana, que a apanhou num esquema de fuga ao fisco em que terá escondido mais de quatro milhões de euros.

De acordo com a RAI News, oficialmente, a cartomante - cujo nome e idade não foram ainda avançados - oferecia os seus serviços exclusivamente através do telefone, numa linha de valor acrescentado. No entanto, após os primeiros contactos, os operadores de call center, "treinados para detetarem os bons clientes" - aqueles que poderiam render verbas mais altas - propunham-lhes serviços personalizados, cujo pagamento era feito em numerário, na sede do negócio, em Perugia.

Desta forma, alguns clientes terão chegado a desembolsar 300 mil euros que foram escondidos dos olhos do fisco. Mas a dimensão e capacidade de investimento de um negócio que, para efeitos tributários, era apenas de média dimensão, acabou por criar suspeitas nos inspetores.

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Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.