Filha de Fujimori tem de ir à segunda volta nas eleições

Keiko Fujimori vai à frente nas sondagens à boca da urna nas eleições presidenciais deste domingo no Peru, mas terá de ir à segunda volta em junho.

Três sondagens avançam com este resultado, de acordo com a Reuters.

Os resultados da sondagem Ipsos dão vitória sem maioria a Keiko Fujimori, com 37,8%, e um empate técnico no segundo lugar entre Pedro Pablo Kuczynski , economista e conservador, com 20,9%, e a candidata de esquerda Veronika Mendonza, com 20,3%.

Outras duas sondagens, GfK e CPI apresentam a mesma ordem, com ligeiras diferenças nas percentagens. A empresa de sondagens CPI dava 39% a Fujimori, 19,7% a Pedro Pablo Kuczynski e 18,8% a Veronika Mendonza.

E, em todas, a candidata Keiko Fujimori terá de ir a uma segunda volta nas eleições presidenciais no dia 5 de junho.

Antiga deputada, a filha de Alberto Fujimori estudou nos EUA e, aos 19 anos, após o divórcio dos pais, ocupou o lugar de primeira dama cerimónias oficiais, conta a Reuters. Tem atualmente 41 anos.

Na campanha eleitoral procurou distanciar-se das politicas do pai, a cumprir uma pena de 25 anos por violação dos direitos humanos e corrupção durante o seu mandato entre 1990 e 2000. Hoje, Keiko Fujimori votou de branco e nas últimas semanas evitou as faixas e as roupas laranjas associadas a Alberto Fujimori e aos seus apoiantes, de acordo com a Folha de S. Paulo.

Durante a campanha eleitoral, a campanha de centro-direita prometeu preservar a democracia e 25 anos de mercado livre no Peru. Também tem insistido medidas mais duras no combate ao crime organizado.

Mas os opositores ao regime do pai já mostraram que querem ter uma palavra a dizer. Milhares de pessoas manifestaram-se contra Keiko Fujimori no dia 5 de abril, o dia em que o pai fechou o Parlamento peruano.

É a segunda vez que Keiko Fujimori se apresenta a eleições. Perdeu em 2011 para o presidente Ollanta Humala.

23 milhões de peruanos foram chamados às urnas

Os primeiros resultados oficiais deverão ser conhecidos na segunda-feira de madrugada.

Cerca de 23 milhões de peruanos foram chamados a participar nestas eleições, após uma campanha marcada por acusações de compra de votos e ataques mortíferos atribuídos à ex-guerrilha maoísta do Sendeiro Luminoso.

O escrutínio realizou-se no dia seguinte a dois ataques contra o exército e atribuídos pelas autoridades a forças residuais do Sendero Luminoso. Pelo menos sete pessoas morreram no centro do país.

A campanha eleitoral foi também perturbada por uma nova lei que proíbe, sob pena de exclusão, a distribuição de dinheiro ou ofertas.

Dos 19 candidatos inscritos à partida, nove renunciaram à candidatura. Um deles, Gregorio Santos, foi detido por suspeita de corrupção, mas apresentou-se a partir da prisão.

A legislação, que permite desqualificar os candidatos até ao dia da votação, foi criticada por juristas e pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, que afirmou recear "uma eleição semidemocrática".

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