Felipe González sente-se "enganado" por Pedro Sánchez

Ex-primeiro ministro espanhol garante que o atual líder socialista lhe disse que se iria abster, permitindo um governo de minoria do PP. Mas Sánchez insiste no "não".

Indignado com o "não" de Pedro Sánchez à investidura de Mariano Rajoy, Felipe González explicou em entrevista à rádio Cadena Ser que se sentiu "enganado" pelo líder do PSOE. "A 29 de junho, [Sánchez] explicou-me que passava para a oposição, que não ia tentar nenhum governo alternativo e que votaria contra a investidura do governo do PP, mas que na segunda votação passaria à abstenção para não impedir a formação do governo", contou o ex-primeiro-ministro espanhol.

González, que governou Espanha entre 1982 a 1996, afirma-se "frustrado por ter sido enganado" por Pedro Sánchez. Para o ex-chefe do governo a única forma de resolver o impasse político em Espanha é Sánchez demitir-se no Comité Federal do PSOE marcado para este sábado. González é contra a ideia do líder socialista de se apresentar a umas primárias a 23 de outubro, antes de o país ir a umas mais que prováveis terceiras eleições em menos de um ano, em dezembro.

Espanha está num impasse político desde as eleições de 20 de dezembro de 2015, quando o PP do primeiro-ministro Mariano Rajoy venceu mas sem maioria absoluta. Mais, a divisão dos votos pelos quatro principais partidos tornou as alianças quase impossíveis. Os espanhóis voltaram às urnas a 26 de junho, mas o bloqueio manteve-se, com o PP a voltar a ganhar, ainda sem maioria absoluta. Com Rajoy a falhar a investidura, tudo indica que haja umas terceiras eleições no final deste ano. Mas nada indica que o resultado venha a ser diferente.

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Henrique Burnay

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Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.