Familiares dos desaparecidos do voo MH370 revoltados com relatório de buscas

Acusam as autoridades de omitir informação no relatório de buscas e acreditam que os desaparecidos estão vivos.

Familiares dos passageiros chineses do voo MH370 criticaram o relatório das autoridades da Malásia divulgado hoje, considerando que foi ocultada informação sobre o avião desaparecido e que os ocupantes continuam vivos.

"Isto é uma conspiração política", disse à agência EFE Zhang Yongli, cuja filha é um dos 239 ocupantes desaparecidos do voo que fazia a ligação entre Kuala Lumpur e Pequim no dia 8 de março de 2014.

"O relatório é sobre o processo de busca, mas nunca refere as pessoas que se encontravam no interior do aparelho e nós não queremos saber dos processos de busca. Só queremos saber onde estão os nossos familiares", disse.

Zhang Meilling, uma mulher que perdeu a filha e o genro "no desaparecimento", concorda com a opinião de Zhang Yongli: "Nós não sabemos o que é que o governo da Malásia está a esconder ou para quem o está a esconder."

"Estou revoltada com o governo da República Popular da China porque após quatro anos não há informações fiáveis", acrescenta, sublinhando que está convencida de que os "desaparecidos estão vivos".

Zhang Yongli também se mostra convencido de que os passageiros do MH370 "devem estar retidos" e que o assunto envolve "várias partes além do governo da Malásia". Por isso, pede para que os ocupantes do aparelho "sejam libertados".

O homem recorda que os familiares vão manter reuniões com representantes da companhia aérea Malaysia Airlines e com as autoridades de Kuala Lumpur no próximo dia 3 de agosto, sexta-feira, em Pequim.

Alguns familiares dos desaparecidos tentaram manifestar-se hoje em frente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, na capital da República Popular da China, tal como na semana passada, mas os agentes da polícia impediram a concentração.

Dos 239 ocupantes do avião desaparecido sobre o Índico, 153 eram de origem chinesa.

As autoridades da Malásia admitiram hoje o envolvimento de "terceiros" no caso do desaparecimento do avião MH370 da Malaysia Airlines.

"Não podemos excluir a participação de uma terceira parte", limitou-se a dizer Kok Soo Chon, chefe da investigação oficial durante uma conferência de imprensa.

O responsável pela investigação oficial assinalou que o aparelho terá mudado de rumo de "forma manual e não através do piloto automático, pelo que se admite a participação de uma terceira parte", mas frisou que ainda faltam elementos para concluir os motivos da manobra.

O relatório incluiu várias recomendações de segurança relacionadas com a aviação comercial, apesar de ainda continuarem desaparecidas as duas caixas negras do aparelho e a fuselagem do aparelho.

Uma das sugestões incluídas no documento propõe melhorar a eficácia dos transmissores de localização que se encontram a bordo dos aviões comerciais em caso de acidentes no mar.

O texto indica também que as companhias e as autoridades dos vários países devem alargar o âmbito das informações sobre as condições psicológicas dos pilotos e da tripulação, melhor inspeção da carga e um "maior" controlo do tráfego aéreo.

Entretanto, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China, Geng Shuang, referiu-se hoje à cooperação entre o governo de Pequim e as autoridades da Malásia na busca do aparelho.

"Seguimos de perto o processo de resgate. Esperemos que todas as partes implicadas mantenham cooperação e comunicação estreitas para que o trabalho [as buscas] possa continuar", disse Geng Shuang.

Exclusivos

Premium

Leonídio Paulo Ferreira

Nuclear: quem tem, quem deixou de ter e quem quer

Guerrilha comunista na Grécia, bloqueio soviético de Berlim Ocidental ou Guerra da Coreia são alguns dos acontecimentos possíveis para datar o início da Guerra Fria, que alguns até fazem remontar à partilha da Europa em esferas de influência por Churchill e Estaline ainda o nazismo não tinha sido derrotado. Mas talvez 29 de agosto de 1949, faz agora 70 anos, seja a melhor opção, afinal nesse dia a União Soviética fez explodir a sua primeira bomba atómica e o monopólio da arma pelos Estados Unidos desapareceu. Sim, foi o teste em Semipalatinsk que estabeleceu o tal equilíbrio do terror, primeiro atómico e depois nuclear, que obrigou as duas superpotências a desistirem de uma Guerra Quente.