Familiares de Putin usaram banco da Dinamarca para lavar dinheiro

Até ao momento o banco dinamarquês não comentou as notícias que foram publicadas no jornal em Denmark's Berlingske, em Copenhaga

Familiares do presidente russo Vladimir Putin e os serviços de informações de Moscovo usaram em 2013 o maior banco da Dinamarca, através da delegação na Estónia, para "lavarem dinheiro" noticia hoje, dia 27 de fevereiro, um jornal de Copenhaga.

O jornal Denmark's Berlingske refere que as informações sobre os movimentos de capitais tiveram como base um denunciante, cuja identidade não foi revelada, e que teve acesso a um relatório sobre as atividades dos familiares do presidente russo assim como das supostas transferências de dinheiro efetuadas pelos serviços secretos da Rússia.

De acordo com a notícia, o relatório indica que a administração do Danske Bank foi avisada pelo denunciante e que "sabia mais do que inicialmente foi apontado", em 2013, às autoridades de Copenhaga.

O jornal refere que o Danske Bank fechou vinte contas bancárias de titulares russos depois de o relatório ter sido enviado pelo denunciante à presidência do banco revelando também o envolvimento direto da delegação da instituição financeira dinamarquesa na Estónia.

A notícia publica também os detalhes do alegado esquema de transferências e as conclusões dos investigadores anticorrupção da Dinamarca.

Até ao momento o Danske Bank não comentou as notícias que foram publicadas hoje em Copenhaga.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)