Falsa nomeação de Trump a Nobel da Paz motiva queixa do Comité Nobel norueguês

"Temos fortes razões para acreditar que há uma nomeação falsificada", anunciou o diretor do Comité, Olav Njolstad

O Comité Nobel norueguês, encarregado de atribuir o Prémio Nobel da Paz, anunciou hoje a apresentação de uma queixa sobre uma possível falsa nomeação do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao galardão.

"Nunca comentamos as nomeações atuais, vai de encontro aos nossos estatutos, mas no caso do Presidente dos Estados Unidos, posso afirmar que temos fortes razões para acreditar que há uma nomeação falsificada", anunciou o diretor do Comité, Olav Njolstad em declarações à televisão pública norueguesa NRK.

Njolstad recusou comentar em que se baseiam as suspeitas e se são dirigidas a pessoas específicas, mas revelou que já foi apresentada queixa na polícia norueguesa.

"Não temos registo de algo idêntico ter acontecido, à exceção da mesma alegada falsificação no ano passado", acrescentou o responsável da organização.

À semelhança do ano passado, a nomeação, feita por um americano que não se quis identificar, justificou a escolha com a "ideologia de paz através da força" de Trump, revelou o Instituto para a Investigação sobre a Paz (Prio) de Oslo.

Todos os anos, as nomeações devem ser apresentadas até ao dia 31 de janeiro e de acordo com o testamento do magnata sueco Alfred Nobel, criador dos galardões, os nomeados podem ser propostos por deputados e ministros, membros de algumas instâncias internacionais, professores universitários e antigos laureados.

No últimos anos, os nomeados incluíram figuras controversas como o presidente russo, Vladimir Putin, ou o fundador da WikiLeaks, Julian Assange. Mas se recuarmos mais, a lista de nomeados inclui o ex-líder cubano Fidel Castro ou mesmo Hitler, Estaline e Mussolini.

Para o Nobel da Paz de 2018, foram apresentados 329 candidatos, dos quais 217 são indivíduos e os restantes são organizações, de acordo com o Comité Nobel.

O Nobel da Paz é o único atribuído fora de Estocolmo, de acordo com a decisão de Alfred Nobel, já que na época a Noruega integrava o Reino da Suécia.

A entrega dos Nobel realiza-se, de acordo com a tradição, em duas cerimónias paralelas, a 10 de dezembro, em Oslo para o prémio da Paz e em Estocolmo para os restantes, data de aniversário da morte do químico e industrial sueco.

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