"Falam disto como se fosse sei lá o quê"

Mulher passa perto da casa onde há uma semana foi preso em Molenbeek o terrorista Salah Abdeslam

Ana Henriques, 46 anos, natural de Tondela, porteira, com o marido, num "grande prédio" na parte alta de Molenbeek, está espantada com tudo o que se tem passado

"Conheço muita gente marroquina e não tenho problema nenhum. Aqui no meu prédio, que é bastante grande, há muitos. E tem sido sempre muito calmo. Há 30 anos que vivo em Bruxelas e nunca tive casa longe daqui. Foi só um pouco antes de haver os atentados em França que se começou a falar disto como um lugar de terroristas. Ficou toda a gente surpreendida. A mim nunca m tinha passado pela cabeça, sinceramente. E agora as TV do mundo inteiro falam de Molenbeek como se fosse sei lá o quê."

Ana Henriques, 46 anos, natural de Tondela, porteira, com o marido, num "grande prédio" na parte alta de Molenbeek, ainda tem espanto na voz. Desde sexta-feira, quando Salah Abdeslam, em fuga desde os atentados de novembro em Paris, foi apanhado no centro do seu bairro - onde ela vai "de vez em quando às compras" - este voltou a ser estrela nas notícias. "Fiquei contente por terem encontrado o Abdeslam, apesar de ser um choque ter sido aqui. Mas pensei que se houvesse cúmplices eles iriam fazer qualquer coisa. Acho que provavelmente foi em resposta à prisão dele que fizeram aquilo."

É uma teoria. E agora? "Olhe, no dia a seguir não deixei o meu filho mais novo, que tem 17 anos, ir à escola. E hoje [ontem, quinta] o pai foi levá-lo e vai trazê-lo. É que a linha de metro que ele usa é aquela onde rebentaram a bomba. Imagine a minha aflição quando soube. E o meu mais velho tem 25 e trabalha no centro da cidade. Também é um alvo. Tenho medo, sim. Não de Molenbeek, mas de viver em Bruxelas. Éramos um país muito sossegado, mas agora... Não sabemos o que eles vão fazer. Podem atacar em qualquer sítio. Era bom que tivessem todos morrido, mas deve haver mais. São tantos que a gente nunca vai conseguir chegar ao fim disto tudo." Suspira. "O meu filho diz que se tem de acontecer acontece. Mas tenho um nó no estômago até ele chegar a casa." Como acha que se pode lidar com a ameaça? "Acho que deviam reforçar mais a segurança. Revistar os sacos das pessoas à entrada do metro, por exemplo. Claro, não podem revistar toda a gente. Mas tem de haver uma solução, têm de arranjar uma solução. Não podemos viver a vida inteira assim cheios de medo."

Enviada especial a Bruxelas

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