Fake news e trocas de acusações de fraude na Indonésia

O período que antecede as eleições do país tem sido marcado por notícias falsas e uma tentativa de alterar o resultado eleitoral.

Nos últimos dias da campanha para as eleições indonésias de 17 de abril, um dos vídeos mais partilhados mostra o que são supostamente milhares de boletins de voto já perfurados e encontrados num armazém em Selangor, na Malásia.

Os 20 sacos diplomáticos, 10 sacos plásticos e cinco pacotes marcados Pos Malaysia (Correios da Malásia) continham, alegadamente, supostos boletins de voto em que já tinha sido perfurada a escolha no atual presidente Joko Widodo.

A denúncia chegou à imprensa indonésia por apoiantes do rival, Prabowo Subianto, tendo responsáveis eleitorais da Indonésia e da Malásia - onde os imigrantes indonésios votaram domingo - anunciaram uma investigação alargada para perceber se os boletins são genuínos e a sua origem.

Quando ainda se espera a conclusão da investigação, o caso ilustra o impacto que vídeos virais e outros estão a ter na maior eleição presidencial direta do planeta.

Em particular pela crescente preocupação em vários setores da sociedade indonésia com o impacto que as fake news, que têm vindo a aumentar significativamente, têm tido no debate político do país.

Na passada sexta-feira, por exemplo, foi oficialmente criada uma task-force formada por elementos do Ministério da Informação e Comunicação e por membros do Conselho de Imprensa, cuja tarefa é identificar e bloquear portais de notícias falsas.

A ideia já tinha surgido em 2017 mas o aumento significativo do volume de noticias falsas finalmente fez concretizar o projeto: o alvo são portais que não identifiquem a companhia a que pertencem, a sua estrutura organizativa e um endereço legal, como exigido na lei de imprensa da Indonésia, que cumpre este ano 20 anos.

"Vamos bloquear todos os portais noticiosos que não estejam registados no Conselho de Imprensa", disse Semuel Pangerapan, diretor-geral do Ministério de Informação.

Dados do governo referem que entre agosto de 2018 e março de 2019 se registaram quase 1 300 casos de denúncias de notícias falsas, com mais de 130 relacionadas com os candidatos presidenciais, partidos políticos ou responsáveis eleitorais.

Noticias e informações falsas que acabam por ser difundidas pelas redes sociais e que, em muitos casos, procuram questionar a fiabilidade e credibilidade do ato eleitoral em si.

Segundo o Conselho de Imprensa, e citando dados de 2016, existem no país mais de 43 mil portais de notícias, mas só 168 estão certificados pela instituição, com vários já bloqueados por espalharem noticias falsas.

Nos bastidores estão debates sobre a reforma legislativa de 2008, alvo de nova mudança em 2016, e que determina que criar e divulgar notícias falsas é punido.

Jornalistas alegam que em alguns casos a lei está a ser usada contra estes profissionais e órgãos de comunicação social, como tentativa de pressão e censura, em vez de contra outros indivíduos ou entidades envolvidas na distribuição organizada de notícias falsas.

A questão tem estado presente na campanha eleitoral, com o presidente Joko Widodo a apelar a que todas as denuncias de supostas fraudes ou rumores de problemas eleitorais devem ser levados às autoridades responsáveis.

Prabowo Subianto, o seu rival, tem no entanto, ajudado a alimentar parte dos rumores denunciando supostos casos de fraude ainda que sem apresentar provas concretas.

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