Fábrica da Colgate-Palmolive paralisada na Venezuela por falta de matéria-prima

A Colgate-Palmolive produz atualmente 90% dos produtos orais que se vendem no mercado venezuelano

A empresa norte-americana Colgate-Palmolive vai paralisar a produção de produtos de cuidado oral na Venezuela devido à falta de matéria-prima importada para produzir pastas de dentes e elixires, anunciou hoje o sindicato da empresa.

"Mais de 100 mil unidades de pasta dentífrica por mês vão deixar de fabricar-se devido à falta de 'sabores' e outros produtos que vêm dos Estados Unidos", disse aos jornalistas o sindicalista Amilcar Olivar, precisando que a partir do fim de semana a fábrica, em Carabobo (centro do país), paralisará a produção.

Segundo o sindicalista "são necessárias entre 1.200 e 1.400 toneladas de matéria-prima para garantir a operacionalidade das máquinas" mas o Centro de Comércio Exterior (Cencoex) da Venezuela não disponibilizou dólares para o pagamento de fornecedores.

Em causa está o sistema de controlo cambial que desde 2013 vigora no país e impede a livre obtenção local de moeda estrangeira, obrigando os empresários a acudir ao Governo para obterem a autorização necessária para aceder a dólares para efetuar as importações.

A situação, segundo explicou, dificultará ainda mais o acesso dos venezuelanos a pastas dentárias e elixires, cuja produção local desde há mais de um ano ocorre de maneira limitada, obrigando as pessoas a fazer longas filas para poder comprar alguns daqueles produtos.

A Colgate-Palmolive produz atualmente 90% dos produtos orais que se vendem no mercado venezuelano e o encerramento, segundo explicou, afetará 227 trabalhadores da fábrica, alguns dos quais foram remetidos para casa, para férias obrigatórias, enquanto outros encontram-se em "suspensão" laboral.

Em finais de janeiro último a Colgate-Palmolive paralisou a produção de sabonetes Protex, devido ao esgotamento do 'stock' de matéria-prima, proveniente do Brasil e da Colômbia, uma medida que afetou 81 trabalhadores que foram suspensos.

Segundo Francisco Muñoz, gerente geral da empresa, além das dificuldades para aceder a dólares para as importações, o Governo venezuelano reduziu 59,68% do valor global em moeda estrangeira a que a empresa estava autorizada a aceder para pagamento a fornecedores internacionais.

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