Explosão no metro de Londres provocada por engenho explosivo artesanal

Explosão, que fez 22 feridos, está a ser tratada como ataque terrorista. "Há uma caça ao homem", disse mayor de Londres

A explosão que se registou esta manhã no metro de Londres está a ser tratada como um ataque terrorista. Um saco de plástico começou a arder às 08:21, depois de se ter sentido uma explosão, no interior de um comboio com capacidade para transportar 865 passageiros. Pelo menos 22 pessoas ficaram feridas.

Quando as portas do metro abriram na estação de Parsons Green, centenas de pessoas correram para sair das carruagens.

A Polícia Metropolitana confirmou que a explosão e o incêndio foram provocados por um engenho explosivo artesanal. Segundo o The Guardian, que cita fontes policiais, o engenho não explodiu por completo. A imprensa britânica afirma ainda que o engenho tinha um temporizador.

Especialistas em explosivos, citados pela BBC, dizem que a bomba deflagrou, o que explica o barulho e as chamas, em vez de explodir. Caso tivesse funcionado corretamente, este engenho teria matado as pessoas que estavam mais próximas, continuam os especialistas.

A unidade de contraterrorismo está o caso como um "incidente terrorista" isolado. Para já, a polícia acredita que no local foi colocado apenas um engenho explosivo.

Do incidente resultaram 22 feridos, que tiveram de ser encaminhados para quatros hospital londrinos. Dois dos hospitais de Londres ativaram o plano de emergência, que deve ser seguido caso um grande incidente provoque muitos feridos na cidade.

Os serviços de ambulâncias de Londres relataram ter transportado 19 feridos para os hospitais (inicialmente disseram ter sido 18) - nenhum com ferimentos graves - e os outros quatro terão procurado assistência médica por conta própria.

As ruas próximas da estação de metro de Parsons Green foram encerradas e as casas da área evacuadas. Parte da circulação na linha Distritct, sudoeste de Londres, Inglaterra, onde se situa Parssons Green, foi parcialmente suspensa, assim como a circulação de autocarros na zona.

Um helicóptero da polícia sobrevoou o local e vários polícias foram destacados para o terreno. O comissário da polícia afirmou que o incidente está a ser investigado pelos serviços de inteligência britânicos, o MI5.

Reações

O mayor de Londres, Sadiq Khan, condenou os "indivíduos hediondos que usam o terror para nos destruir e à nossa maneira de viver".

"Como Londres já demonstrou inúmeras vezes, nunca nos deixaremos intimidar ou derrotar pelo terrorismo", continuou Khan num comunicado publicado nas redes sociais.

"Há uma caça ao homem enquanto falamos", disse também o mayor de Londres numa entrevista esta manhã.

A primeira-ministra britânica Theresa May também reagiu ao incidente. "Os meus pensamentos estão com os feridos em Parsons Green e com os serviços de emergência que estão a responder com coragem a este incidente terrorista", escreveu.

Theresa May reuniu-se entretanto com o comité de emergência britânico, na sequência deste último ataque terrorista, com os principais ministros do executivo. No final do encontro, a governante condenou o ataque, que considerou "cobarde" e esclareceu que o nível de alerta se vai manter em "severo". O governo não considera necessário elevar o nível de alerta para crítico, o mais elevado, mas May garantiu que este pode ser revisto a qualquer momento.

"Era um engenho com o objetivo de causar ferimentos significativos", disse a primeira-ministra.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também reagiu ao incidente no metro, escrevendo no Twitter que os terroristas "são pessoas doentes e dementes" e que é preciso lidar com eles de uma forma mais dura e aumentar o controlo na internet, "a principal ferramenta de recrutamento".

O governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo, também reagiu e afirmou que a segurança no metro de Nova Iorque será reforçada hoje por precaução.

Os primeiros relatos

Um saco de plástico com um balde dentro começou a arder, às 08:21, tendo deflagrado um pequeno incêndio numa das composições do metro de Londres. Os relatos, citados pela imprensa local, referiam a existência de uma "explosão" e de um estrondo numa carruagem do metro.

As imagens disponíveis nas redes sociais mostram o que parece ser um saco de plástico a arder e um balde de plástico, além de uma mochila preta e uns fios.

Testemunhas dizem ainda ter visto fios elétricos a saírem do saco de plástico do Lidl, antes de centenas de pessoas terem tentado fugir do metro ao mesmo tempo.

"Cheirava a um extintor de incêndios e havia espuma no chão", contou Rory Rigney, de 37 anos, ao The Guardian, acrescentando que viu "fios vermelhos" no saco e que o incêndio parecia uma "bola de fogo amarela ou laranja".

"Ouvi um grande barulho e depois fumo e uma coluna de fogo a subir", contou Gillian Wixley, de 36 anos. "Não foi uma grande explosão, foi mais o barulho e o fogo. Aconteceu tudo muito rápido".

Outro metro de Londres, não envolvido neste incidente, foi evacuado esta manhã. 253 pessoas abandonaram as carruagens, segundo os bombeiros de Londres.

Parte da famosa estação de Kings Cross, em Londres, também foi temporariamente evacuada devido a um objeto suspeito.

Ler mais

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.