Forças sírias forçam entrada em Palmira em batalha acesa com Estado Islâmico

Governo sírio está a ser apoiado por aviões de guerra russos. Estado Islâmico avisa civis para saírem do centro da cidade

As forças do governo sírio forçaram a entrada na cidade de Palmira esta quinta-feira, de acordo com a televisão estatal síria e o Observatório Sírio para os Direitos Humanos. O exército, apoiado pelos meios aéreos russos, procura recuperar a histórica cidade que tem estado sob o controlo do grupo terrorista Estado Islâmico.

O exército sírio começou este mês uma ofensiva concertada para recuperar Palmira, que foi tomada pelos extremistas islâmicos em maio de 2015, e para procurar abrir caminho para a província oriental de Deir al-Zor, controlada quase na totalidade pelo Estado Islâmico.

O Estado Islâmico fez explodir antigos templos e túmulos durante a sua ocupação da cidade histórica. A agência cultural das Nações Unidas, a UNESCO, classificou essas ações como um crime de guerra.

O canal televisivo estatal Ikhbariva transmitiu imagens alegadamente filmadas à entrada de Palmira esta quinta-feira, e afirmou que os combatentes do governo tinham conseguido recuperar um bairro principalmente turístico no oeste da cidade.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, associação com base no Reino Unido, disse que o exército tinha entrado no bairro hoteleiro no sudoeste da cidade e tinha chegado à entrada de uma zona residencial, após um avanço rápido na quarta-feira que permitiu ao exército e aos seus aliados chegar aos subúrbios.

Um soldado entrevistado pela Ikhbariva afirmou que o exército e os seus aliados avançariam para lá de Palmira. "Dizemos a estes guerrilheiros: Vamos entrar em Palmira, e avançar para o que está além de Palmira, e se Deus quiser para Raqqa, o centro dos gangues do Daesh", disse, referindo-se à cidade em que o grupo terrorista Estado Islâmico criou o seu comando de operações, no norte da Síria.

A agência noticiosa síria SANA mostrou imagens de aviões de guerra a sobrevoar a área, helicópteros a disparar mísseis, e soldados com veículos blindados a aproximar-se de Palmira. Os habitantes civis da cidade começaram a fugir após um aviso dos combatentes do Estado Islâmico, através de altifalantes, para que evacuassem o centro da cidade devido à aproximação dos combates. Esta informação foi divulgada pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que a conseguiu a partir das suas fontes no terreno.

A recuperação de Palmira e avanços para a província de Deir al-Zor, se forem bem-sucedidos, marcariam a vitória mais significativa do governo sírio contra o Estado Islâmico desde o princípio da intervenção militar russa no terreno, em setembro do ano passado.

Com a ajuda da Rússia, Damasco já recuperou algum terreno contra o Estado Islâmico, principalmente a leste de Aleppo, a maior cidade síria e grande polo comercial antes do princípio da guerra civil que opôs o regime de al-Assad a vários grupos rebeldes.

Kerry está na Rússia para falar sobre paz na Síria

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, encontra-se em Moscovo para se reunir com Vladimir Putin esta quinta-feira. Antes da reunião, Kerry afirmou que os Estados Unidos e a Rússia devem trabalhar juntos para pôr fim à guerra na Síria, superando as suas diferenças, e apelou a uma redução na violência e aumento da ajuda humanitária.

A Rússia e os Estados Unidos têm-se constituído como os dois principais poderes externos com uma voz decisiva no que acontecerá na guerra civil que há cinco anos devasta a Síria. Antes de reunir com o presidente russo, Kerry afirmou que a atual trégua parcial, apesar de frágil, reduziu os níveis de violência na Síria entre al-Assad e os grupos rebeldes que se opõem ao seu regime.

"Passinho de bebé" para a paz na Síria

Em conversações de paz em Genebra, espera-se que o governo sírio e os grupos da oposição concordem, esta quinta-feira, em assinar um documento redigido por uma equipa especial das Nações Unidas que define alguns princípios básicos. O acordo foi descrito por um diplomata como um "passinho de bebé".

Com um cessar-fogo frágil na Síria, as "conversações de proximidade" indiretas, em que as delegações do governo e da oposição estão em salas separadas, vão terminar temporariamente esta quinta-feira após quase duas semanas de discussões, para serem retomadas no mês que vem.

Cinco anos de guerra civil na Síria ajudaram ao crescimento do Estado Islâmico

Espera-se que as conversações ajudem a pôr fim a mais de cinco anos de guerra civil na Síria. Mais de 250 mil pessoas morreram na guerra civil, que criou a pior crise de refugiados de sempre e ajudou, com a instabilidade gerada no país, ao crescimento do grupo terrorista Estado Islâmico.

"Saímos destas duas semanas com a sensação de que talvez tenham sido criadas as bases para conversações substantivas na próxima ronda", disse o delegado da oposição Basma Kodmani.

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