366 milhões ao fundo. Exercícios da NATO custam fragata à Noruega

A fatura da Noruega ter acolhido o maior exercício militar da Aliança Atlântica desde o final da Guerra Fria tornou-se muito mais avultada quando a fragata Helge Ingstad regressava ao porto e colidiu com um petroleiro. O navio de guerra está a afundar-se.

A fragata norueguesa que colidiu com um petroleiro na semana passada está quase submersa após os cabos de amarração terem esgarçado.

"O navio afundou-se mais um metro e, como resultado, dois cabos esgarçaram. Foram substituídos por dois mais fortes. Nós trabalhámos até à meia-noite. Depois percebemos que não era seguro para nossa equipa continuar o trabalho", disse Haavard Mathiesen, chefe da operação de resgate da Marinha da Noruega. "Por volta das 6.00 mais cabos esgarçaram e o navio afundou-se ainda mais. O navio está agora imóvel em águas mais profundas", concluiu o responsável em conferência de imprensa.

A fragata Helge Ingstad, de 5.000 toneladas, meteu água em grande quantidade após uma colisão com um navio petroleiro maltês Sola TS na quinta-feira no fiorde de Hjeltefjord, perto de Bergen.

O acidente causou oito feridos entre os 137 marinheiros que regressavam do exercício da NATO Trident Juncture. O petroleiro maltês Sola TS, dez vezes maior do que o navio de guerra, registou pequenos danos.

A Helge Ingstad, que faz parte da classe Fridtjof Nansen, composta por cinco fragatas, foi então levada para junto da costa para não se afundar na totalidade.

A tripulação foi forçada a abandonar o navio, que ficou parcialmente submerso.

No mesmo dia foi lançada uma operação para estabilizar o navio, com cabos amarrados à costa para estabilizar o navio. No entanto, os cabos esgarçaram no meio da noite de segunda para terça-feira e o barco afundou-se. Mantêm-se à tona apenas o topo do mastro e uma pequena parte da popa.

Construída na Galiza

A Marinha norueguesa está agora a estudar formas de levantar o navio, informou o almirante Nils Andreas Stensones. "É muito duro para uma Marinha perder um navio", disse ele. A fragata foi adquirida em conjunto com as restantes à empresa de construção naval militar espanhola Navantia. Foram construídas entre 2006 e 2011 em Ferrol, na Galiza, e receberam nomes de exploradores noruegueses.

A perda da fragata equivale a um valor de 366 milhões de euros, segundo as estimativas da Norway Today.

Causas por apurar

As causas do desastre vão ser investigadas pelas Forças Armadas. Há no entanto informações na imprensa local de que o petroleiro com pavilhão de Malta avisou por diversas vezes a fragata para mudar de rumo. E esta manteve a velocidade e a direção até se dar a colisão.

Além deste comportamento incomum, a Helge Ingstad teria o sistema de identificação automático (AIS) desligado.

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