Ex-PM da Tailândia desaparecida. Já fugiu do país

Yingluck Shinawatra faltou à leitura da sentença, num caso em que está acusada de negligência. Controlo das fronteiras foi reforçado

O chefe da junta militar na Tailândia, general Prayut Chan-O-Cha, ordenou hoje o reforço dos controlos nas fronteiras, depois de a ex-primeira-ministra não ter comparecido em tribunal para a leitura da sentença. No entanto, Yingluck Shinawatra já terá saído do país, segundo avança esta manhã a BBC.

Fontes próximas do partido da ex-primeira-ministra avançaram à BBC que está já não se encontra na Tailândia. "Ela já não está cá, partiu na quarta-feira", confirnou uma fonte do Pue Thai que pediu para não ser identificado à AFP.

Antes, a imprensa de Banguecoque noticiava que Yingluck Shinawatra, tinha abandonado o país, num voo com destino a Singapura, para evitar a sentença que o Supremo Tribunal ia proferir.

Segundo o jornal Khaosod a antiga chefe do governo encontra-se em Singapura na companhia do irmão mais velho que foi ministro e que já tinha abandonado a Tailândia em 2008 para evitar uma pena de dois anos de prisão.

O Supremo Tribunal da Tailândia emitiu um mandado de captura para a ex-primeira ministra, que não compareceu na leitra da sentença, a qual acabou por ser adiada para 27 de setembro.

"O advogado disse que Yingluck Shinawatra está doente e que pede para adiar a sentença (...). O tribunal não acredita que ela esteja doente (...) e decidiu emitir um mandado de captura", disse o juiz de Cheep Chulamon.

O julgamento da ex-primeira-ministra da Tailândia, acusada de negligência num esquema que terá custado milhares de milhões de dólares ao Estado, começou em janeiro de 2016 em Banguecoque.

Yingluck foi acusada de responsabilidade nas falhas de supervisão de um plano de ajudas alimentares (arroz) que, segundo a comissão anticorrupção, causou prejuízos de 17.100 milhões de euros ao Estado, além de ter fomentado a corrupção.

A ex-governante tem afirmado que está inocente e que está a ser "vítima" de um "jogo político", podendo vir a ser condenada a uma pena de 10 anos de cadeia, comutáveis a um pagamento de mil milhões de euros na forma de compensação.

Milhares de apoiantes de Yingluck Shinawatra estavam concentrados no exterior do Supremo Tribunal, onde se encontravam também mais de quatro mil elementos das forças de segurança, indicou a agência France Presse (AFP).

O governo da ex-primeira-ministra, de 50 anos, foi derrubado em 2014 pelo exército.

(Atualizada às 12:00 com informação de que poderá estar em Singapura)

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