Ex-ministro da Economia russo considerado culpado de corrupção

Alexei Ulyukayev nega as acusações

O ex-ministro da Economia da Rússia, Alexei Ulyukayev, foi hoje considerado culpado por ter exigido dois milhões de dólares ao presidente do gigante petrolífero Rosneft, próximo de Vladimir Putin, segundo a agência France Presse.

"Ulyukayev é culpado de receber um suborno no escritório", disse a juíza Larissa Semionova.

A sentença deve ser anunciada no final do veredicto, uma vez que a acusação exigiu dez anos de prisão para Alexei Uliukaiev, acusado de corrupção.

O antigo ministro da Economia, 61 anos, é acusado de ter exigido dois milhões de dólares ao poderoso presidente do gigante petrolífero Rosneft, Igor Sechin, próximo de Vladimir Putin, em troca de uma autorização para que a empresa absorvesse outra empresa de petróleo estatal, a Bashneft.

Alexei Uliukaiev nega as acusações e acusa Igor Sechin de ter participado num caso fabricado pelo Serviço Federal de Segurança (FSB, antigo KGB).

A detenção do ex-ministro no final de 2016 nas instalações da Rosneft provocou uma onda de choque nos meios liberais russos.

Uliukaiev opôs-se durante longo tempo à venda da Bashneft à Rosneft, mas esta concretizou-se após ter recebido o apoio de Putin.

Esta operação constituiu a maior venda de ativos realizada em 2016 pelo Estado russo, que pretendia obter fundos para um orçamento em queda devido à descida dos preços do petróleo.

Ler mais

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.