Evo Morales acusa secretário-geral da OEA de destruir bloco "por submissão ao império"

O Presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou, na quarta-feira, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, de destruir o bloco por ser "submisso" ao "império norte-americano".

"Luis Almagro está a destruir a OEA por submissão ao império norte-americano com as suas políticas intervencionistas", escreveu Evo Morales, na sua conta na rede social Twitter.

O presidente da Bolívia fez o comentário depois de o Governo de Caracas ter anunciado que pretende iniciar hoje o procedimento com vista à retirada da Venezuela da OEA, após o organismo ter aprovado uma resolução para convocar, com caráter de urgência, uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros para tratar da crise venezuelana, sem o aval do país.

A aprovação teve lugar com 19 votos a favor, 10 contra, quatro abstenções e uma ausência.

Votaram a favor a Guiana, Bahamas, Santa Lucia, Argentina, Barbados, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, Honduras, Guatemala, Jamaica, México, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai.

A Venezuela já tinha advertido que deixaria o organismo no caso de se convocar essa reunião, um processo que exige esperar dois anos e pagar o montante de quotas em dívida, que ascende a 8,7 mil milhões de dólares (cerca de oito mil milhões de euros), segundo a Carta da organização, o documento de fundação de 1948.

Após a aprovação da convocatória da reunião, a ministra dos Negócios Estrangeiros venezuelana, Delcy Rodríguez, anunciou a saída oficial do seu país do bloco, afirmando que o país não irá participar em "nenhuma atividade em que se pretenda posicionar o intervencionismo e a ingerência de um grupo de países que só procuram perturbar a estabilidade e a paz" na Venezuela.

Evo Morales é aliado do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e os seus governos fazem parte da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba).

O chefe de Estado boliviano responsabilizou, há duas semanas, o secretário-geral da OEA pela violência registada na Venezuela, que tem sido palco de frequentes protestos da oposição, acusando-o de colocar os interesses dos Estados Unidos à frente dos dos povos da América Latina.

Fontes diplomáticas indicaram à agência noticiosa espanhola Efe que a reunião de chefes da diplomacia dos países membros da OEA sobre a crise política na Venezuela vai realizar-se somente após a da Comunidade do Caribe (Caricom), marcada para 18 de maio.

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