Eurogrupo tem um "antes", um "com" e um "pós-Schäuble"

Na última reunião com o Eurogrupo, Wolfgang Schäuble apontou Portugal como "prova" do sucesso da política de estabilização do euro e exemplo de um "final feliz"

O comissário europeu dos Assuntos Económicos admitiu que a reunião de hoje do Eurogrupo, no Luxemburgo, é "muito especial", pois é a última do ministro alemão Wolfgang Schäuble, personalidade que marca a história do fórum de ministros da zona euro.

"Claro que para todos nós é uma reunião muito especial, porque Wolfgang Schäuble é um membro muito especial do Eurogrupo, e uma pessoa muito especial e excecional", começou por referir Pierre Moscovici, à entrada para a reunião.

O comissário francês lembrou que Schäuble se tornou ministro das Finanças "no início da crise grega, numa altura em que o Eurogrupo não tinha os poderes e competências que tem hoje".

"O Eurogrupo tornou-se extremamente importante no quadro as instituições da UE, e isso deve-se em grande parte à personalidade e ação do Wolfgang. É um homem de grande inteligência, com bom sentido de humor. Pode ser duro, por vezes. Nem sempre partilhámos as mesmas posições, mas tal nunca se tornou inconciliável. Conseguimos sempre trabalhar bem em conjunto", observou Moscovici, que pertence à família dos socialistas europeus, enquanto Schäuble é membro do Partido Popular Europeu (PPE).

Para Moscovici, "na vida do Eurogrupo, haverá um 'antes de Schäuble', um 'com Schäuble' e um 'pós-Schäuble', e o 'pós' será diferente", pois haverá certamente um sucessor, mas o ainda ministro e futuro presidente do Bundestag (parlamento federal da Alemanha) "não se pode substituir".

Portugal é uma vez mais a prova de que a nossa política de estabilização do euro foi um sucesso, e de que fomos bem-sucedidos na defesa de um euro estável nos oito anos de crise do euro

À entrada para a sua derradeira reunião do Eurogrupo, Wolfgang Schäuble apontou Portugal como "prova" do sucesso da política de estabilização do euro e uma ilustração de um "final feliz".

"Portugal é uma vez mais a prova de que a nossa política de estabilização do euro foi um sucesso, e de que fomos bem-sucedidos na defesa de um euro estável nos oito anos de crise do euro, contra algumas dúvidas", declarou o ainda ministro das Finanças alemão.

"Nesse sentido, é para mim um bom final, após um período de oito anos dos quais não me despeço com facilidade. Mas oito anos são o suficiente", concluiu Schäuble, que, na sequência das recentes eleições na Alemanha, vai passar a presidir ao Bundestag, desconhecendo-se ainda quem lhe sucederá na pasta das Finanças, tudo dependendo da coligação governamental que for formada.

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